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Bolo do Caco (Madeira)

O bolo do caco é um pão de trigo típico do arquipélago da Madeira. Embora não se tratando propriamente de um doce, esta é uma das receitas tradicionais portuguesas que merece destaque neste espaço.

Pode ser consumido como entrada, acompanhamento ou mesmo como iguaria principal. Normalmente, é barrado com manteiga de alho a derreter, doces ou compotas, podendo também ser a base de uma sandes.

Ingredientes:

  • 1 kg de farinha de trigo
  • 1 pitada de sal
  • 150 ml de água + q.b. p/ cozer as batatas-doces
  • 25 g de fermento de padeiro
  • 750 g de batata-doce

Confeção:

Descasque as batatas, leve-as a cozer em água e reduza-as a puré.

Desfaça o fermento na água e acrescente o sal.

Coloque a farinha numa superfície limpa, abra um buraco no meio e deite nele a batata-doce e o fermento. Deixe a massa fermentar durante 2 a 3 horas.

Quando a massa de pão estiver lêveda, divida-a em bolas e achate-as (numa superfície polvilhada com farinha) de modo a formar uma bolacha com a espessura de 3 cm e aproximadamente um palmo de diâmetro.

Coloque as bolachas no caco (frigideira de pedra mole) ou numa chapa bem quente e deixe cozer até ganhar uma crosta fina, mas ligeiramente queimada. Vire-as e deixe cozer igualmente do outro lado. Depois, rode os bolos do caco, já cozidos, de modo a alourar também os bordos.

Queijadas da Madeira

A doçaria madeirense é riquíssima na conjugação de sabores e tradições do arquipélago, nomeadamente no que se refere aos ingredientes utilizados. As queijadas são dos doces regionais da Madeira mais apreciados, embora as confeitarias locais nem sempre tenham resposta para a procura destes maravilhosos bolos.

Feitas à base de requeijão, ovos e açúcar, as queijadas da Madeira têm origem na doçaria conventual e fazem as delícias do paladar e da visão, com o seu aspeto peculiar.

Ingredientes:

(cerca de 20 queijadas)
Para a massa
  • 20 g de açúcar
  • 250 g de farinha de trigo
  • 250 g de manteiga
  • água (se necessário)
Para o recheio
  • 12 gemas
  • 2 claras
  • 500 g de açúcar
  • 500 g de requeijão

Confeção do modo Tradicional:

Peneire a farinha com o açúcar.

Junte a manteiga e trabalhe os ingredientes de modo a obter uma massa bem ligada. Se necessário, junte umas gotas de água.

Deixe a massa repousar durante 1 hora, no mínimo.

Entretanto, prepare o recheio. Passe o requeijão por uma peneira fina, acrescentando depois o açúcar. Mexa bem.

Junte as gemas individualmente, mexendo bem entre cada adição.

Acrescente as claras e bata tudo até ficar uma mistura homogénea.

Passado o tempo de repouso da massa, estenda-a de forma a ficar muito fina e corte aos quadrados. No centro de cada quadrado coloque uma colher do recheio. Dobre as pontas sobre este, de modo a que o centro fique visível.

Coloque as queijadas num tabuleiro, em cima de quadrados de papel manteiga. Se desejar preparar as queijadas usando formas de queques, verifique a descrição feita para a Bimby.

Leve a cozer em forno pré-aquecido a 180º C, cerca de 30 minutos ou até as queijadas estarem douradas.

Quando saírem do forno, unte-as com manteiga.

Preparação na Bimby:

Coloque todos os ingredientes da massa no copo e programe 2 min. / vel. Espiga.

Retire e deixe repousar durante 1 hora.

Para o recheio, coloque no copo o requeijão e programe 3 seg./ vel. 5. Com a espátula, baixe o requeijão que ficou nas paredes do copo.

Adicione o açúcar, as gemas e as claras. Programe 30 seg./  vel 3.

Abra o copo e envolva tudo com a espátula. Programe mais 8 min./ 90º C/ vel. 2. Retire e deixe arrefecer.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa numa superfície com farinha, até ficar bem fina.

Poderá Corte círculos de massa com cerca de 10 cm de diâmetro e forre com ela formas para queques, previamente untadas.

Deite em cada forma 1 colher do recheio e dobre a borda da massa para dentro.

Leve a cozer cerca de 30 minutos ou até estarem douradas.

Desenforme as queijadas mornas e sirva-as

Dica:

Se desejar atenuar o sabor do requeijão, junte 1 colher (café) de canela e a raspa de ½ limão aos ingredientes do recheio.

SUGESTÃO:

Aproveite as claras restantes, preparando um Pudim de Claras com Nozes para a sobremesa (veja a receita AQUI).

Foto retirada do blogue http://parasaborear.blogspot.pt

Malassadas de Semilha (Madeira)

As malassadas são um doce tradicional do Carnaval na ilha da Madeira. A importância do doce para comemorar esta época festiva é tal que as malassadas representam para os madeirenses o que o bolo-rei simboliza no Natal para os habitantes de Portugal Continental.

As malassadas são uns fritos parecidos com sonhos, mas mais densos. São cobertas com mel de cana e, também por isso, são uma delícia!

Ingredientes:

  • ¼ kg de farinha
  • ¼ kg de semilha (batata) cozida e esmagada
  • ¼ litro de leite
  • 2 ovos
  • 2,5 colheres de fermento em pó
  • açúcar e sal q.b.
  • mel de cana p/ regar as malassadas

Confeção:

Misture bem todos os ingredientes.

Tire colheradas da massa e vá fritando em óleo bem quente (este procedimento terá de ser rápido; ponha a massa na colher e, com o indicador da mão esquerda, empurre-a rapidamente para dentro do óleo).

Logo que estejam douradinhas, tire as malassadas do óleo e ponha-as a escorrer em papel absorvente.

Sirva-as regadas com mel de cana.

Sugestão:

Embora as malassadas tipicamente madeirenses sejam regadas com mel de cana, poderá também polvilhá-las com açúcar e canela.

Bolo de Santa Clara (Funchal)

Este bolo conventual é um pouco trabalhoso, uma vez que leva recheio e cobertura, mas o resultado final compensa, pois fica muito saboroso e com uma apresentação apelativa.

A receita é originária do Convento de Santa Clara do Funchal, um dos primeiros Conventos femininos a existir na Madeira. Foi mandado construir em finais do século XVI, para recolher filhas da nobreza local, e daí sairam alguns dos doces conventuais mais marcantes daquela região.

Ingredientes:

Para o bolo
  • 1 colher (café) de canela
  • 1 colher (café) de noz-moscada
  • 100 g de água
  • 100 g de leite
  • 120 g de manteiga
  • 2 colheres (chá) de fermento
  • 2 ovos
  • 240 g de açúcar
  • 240 g de farinha de trigo
  • casca de 1 laranja
  • casca de 1 limão
Para o recheio e cobertura
  • 200 g de açúcar
  • 25 g de passas
  • 40 g de farinha de trigo
  • 450 g de leite
  • casca de 1 laranja

Confeção do Modo Tradicional:

Ligue o forno a 180º C.

Rale as cascas dos citrinos e reserve.

Bata a manteiga e os ovos até obter um preparado cremoso e esbranquiçado.

Adicione a água, o leite, o açúcar e as cascas dos citrinos reservadas, envolvendo bem os ingredientes.

Acrescente a noz-moscada, a canela, a farinha e o fermento. Misture bem.

Deite o preparado numa forma redonda bem untada ou forrada com papel vegetal.

Leve ao forno cerca de 40 minutos.

Estando cozido, desenforme o bolo e deixe arrefecer por completo.

Entretanto, prepare o recheio, começando por ralar a casca de laranja.

Junte a raspa da laranja ao leite e acrescente o açúcar, a farinha e as passas picadas grosseiramente, misturando bem.

Corte o bolo na horizontal e recheie-o com o preparado anterior.

Decore a gosto e reserve no frigorífico. Sirva o bolo fresco.

Preparação na Bimby:

Ligue o forno a 180º C.

Coloque no copo da Bimby as cascas dos citrinos e programe 15 segundos, velocidade 9. Retire e reserve.

Coloque a borboleta e a manteiga e os ovos. Programe 5 minutos, velocidade 3.

Adicione a água, o leite, o açúcar e as cascas dos citrinos reservadas. Programe 1 minuto, velocidade 3.

Acrescente a noz-moscada, a canela, a farinha e o fermento. Programe 10 segundos, velocidade 3.

Deite o preparado numa forma redonda bem untada ou forrada com papel vegetal.

Leve ao forno cerca de 40 minutos.

Estando cozido, desenforme o bolo e deixe arrefecer por completo.

Entretanto, prepare o recheio. Coloque a casca de laranja no copo da Bimby e rale durante 3 segundos, velocidade 9.

Junte o leite e programe 10 minutos, 90º C, velocidade 2.

Adicione os restantes ingredientes e programe 10 minutos, 90º C, velocidade 4.

Retire o preparado do copo e deixe arrefecer por completo.

Corte o bolo na horizontal, recheando com o preparado reservado.

Decore a gosto e reserve no frigorífico. Sirva o bolo fresco.

Fotos e receita Bimby: www.cristinatbernardo.blogspot.pt

Rebuçados de Funcho (Madeira)

Este rebuçados cilíndricos, de aspeto artesanal e cor alaranjada, são típicos da Madeira e devem o seu nome à planta que está na base da sua confeção – o funcho, que é muito abundante na Ilha, particularmente na zona do Funchal. A receita terá sido, pois, criada para aproveitar os benefícios e a grande quantidade de funcho ali existente.

Conta a História que quando o arquipélago foi descoberto e João Gonçalves Zarco ali desembarcou (séc. XV), este terá ficado impressionado com o amarelo predominante das flores deste arbusto, o que o terá levado a designar a primeira povoação de Funchal.

Com o tempo, os rebuçados de funcho transformaram-se numa referência do arquipélago, sendo atualmente dos doces mais procurados pelos turistas, portugueses e estrangeiros. A sua comercialização é feita em pequenos sacos de plástico, não sendo os rebuçados embrulhados individualmente.

Habitualmente consumidos como guloseima, são também usados para adoçar o chá ou misturar na aguardente de cana. Dadas as propriedades do funcho, são utilizadas como calmantes para a tosse.

Parecendo fácil, a sua confeção exige habilidade e prática, uma vez que a pasta de açúcar tem de ser trabalhada em quente e deve ficar homogénea e lisa. Veja como se faz…

Ingredientes:

  • 1 kg de açúcar
  • 10 g de essência de funcho
  • 500 ml de água

Confeção:

Leve ao lume o açúcar e a água até a calda fazer estrada (ao passar a espátula, vê-se o fundo da panela).

Acrescente a essência de funcho e mantenha ao lume até atingir o ponto de bola dura (125º C) e depois o de rebuçado, ou seja, o de bola dura já amarelo.

Deite esta pasta numa travessa untada com manteiga, deixe arrefecer um pouco e puxe pedaços, dando-lhes o formato de charutos compridos, com a largura de um dedo.

Com pancadas bruscas de uma faca, parta charutos em cilindros de aproximadamente 3 cm de comprimento.

Guarde os rebuçados em caixas hermeticamente fechadas.