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Broas dos Santos com Abóbora

À receita tradicional das broas dos Santos, também conhecidas como bolos dos Santos, alia-se a abóbora e o resultado são uns bolinhos deliciosos, capazes de fazer crescer água na boca. Como se costuma dizer, estes bolos, típicos do dia de Todos os Santos, são de comer e chorar por mais

Ingredientes:

  • ½ colher (sopa) de canela
  • ½ kg de farinha de milho
  • 1 colher (sopa) de sementes de erva-doce
  • 1 pitada de sal
  • 100 ml de água fria
  • 1 kg de farinha de trigo
  • 1 pau de abóbora
  • 1,5 kg de abóbora-menina
  • 250 g de açúcar amarelo
  • 30 g de fermento de padeiro
  • 50 g de nozes
  • 50 g de passas
  • 50 g de pinhões
  • ovo p/ pincelar

Confeção:

Coza a abóbora num pouco de água com sal, escorra e esmague-a. Reserve a água.

Dissolva o fermento na água fria e junte as farinhas, previamente misturadas, amassando vigorosamente à medida que vai juntando a abóbora e o açúcar. Se necessário, junte um pouco da água de cozer a abóbora.

Quando a massa tiver uma consistência bem elástica, tape e ponha-a a levedar em local temperado.

Corte os frutos secos em pedaços e reserve.

Mergulhe as passas e o pau de abóbora em água morna, enxugando-os de seguida.

Estando a massa levedada, adicione a erva-doce e a canela, os frutos secos, as passas e o pau de abóbora.

Ponha um pouco de farinha e da massa num recipiente com cerca de 10 cm de diâmetro.

Molde a massa em bolas, rodando o recipiente. Repita a operação as vezes necessárias para terminar o preparado.

Disponha as broas em tabuleiros untados com azeite, pincele-as com ovo e leve a cozer em forno bem quente (200º a 220º C), entre 30 a 40 minutos.

Bolo de Figos Secos (Torres Novas)

A produção de figo é uma atividade fulcral na região de Torres Novas, recuando ao século XIX, quando surgiu como uma alternativa às vinhas, na altura fortemente afetadas por uma praga de insetos [a filoxera] que assolou a Europa. A boa adaptação ao meio fez com que a importância socioeconómica da cultura do figo ganhasse cada vez mais destaque na região, dando origem a novos hábitos, receitas e tradições que ainda hoje têm grande expressão. Gradualmente, o figo (fresco e seco) foi ganhando expressão a nível local e nacional, sendo hoje uma das mais fortes representações da região de Torres Novas.

Além de ser exportado e consumido localmente, o figo passou a ser usado na confeção de muitas receitas, sobretudo doces. Dentre elas, destaca-se este bolo de figos secos, que é uma das especialidades mais afamadas de Torres Novas. Além do figo, neste doce regional entram ingredientes como a amêndoa, o chocolate, especiarias (erva-doce e canela), brandy | conhaque, limão e mel.

Ingredientes:

  • 1 cálice de conhaque
  • 1 colher (café) de erva-doce em pó
  • 1 colher (sobremesa) de canela
  • 150 ml de água
  • 4 colheres (sopa) de mel + q.b. p/ a superfície
  • 40 g de chocolate em pó
  • 400 g de açúcar
  • 400 g de figos secos
  • 400 g de miolo de amêndoa
  • amêndoa p/ a decoração
  • raspa de 1 limão

Confeção:

Aqueça o forno 180º C.

Corte os figos em pedaços e coloque-os num tabuleiro.

Coloque a amêndoa noutro tabuleiro e leve ambos ao forno para alourarem um pouco.

Retire do calor, deixe arrefecer e triture os frutos secos. Reserve.

Misture o açúcar com a água, o chocolate, a erva-doce, a canela, a raspa do limão e o mel. Leve a lume brando cerca de 15 minutos, até obter ponto de fio (para verificar este ponto, mergulhe os dedos polegar e indicador em água fria; coloque um pouco de calda entre eles e, ao juntar e afastar os dedos, a calda forma um fio que se rompe facilmente, ficando uma apenas um pequena gota  em cada dedo).

Retire do lume e junte a amêndoa, o figo e o conhaque.

Leve novamente ao lume, mexendo sempre, até secar um pouco.

Retire e deixe arrefecer um pouco.

Deite o preparado, ainda quente, numa forma untada, e  calque bem com uma colher de pau.

Decore a superfície do bolo com a amêndoa e leve a meio do forno até alourar.

Deixe o bolo de figo arrefecer, desenforme e pincele com mel.

Bolos de Cabeça (Torres Novas)

Estes bolos, feitos com uma massa fermentada, maciça mas fofa, aromatizada com canela, erva-doce e limão, são uma especialidade da doçaria regional de Torres Novas, sendo presença quase obrigatória nas festas e romarias do concelho. Embora se tendam de maneira diferente, a massa é semelhante à de outros bolos que se fazem na região Oeste, também muito frequentes nas festas de casamento, como lembrança dos noivos para os convidados – exemplo disso são as ferraduras, os bolos de festa ou os bolos de noivos.

Os bolos de cabeça têm em si os traços da doçaria popular, com os seus torcidos e entrançados característicos. Começaram por ter a forma de cruz, mas como são tradicionalmente oferecidos nos casamentos, estes bolos passaram a ter a forma de duas cabeças, que representam os noivos, uma vez que relação e vida do casal é feita a dois.

Com a mesma massa podem tender-se formas mais simples, como ferraduras e bolinhas (polvilhadas com açúcar e enfeitadas com uma noz), sendo estas últimas confecionadas sobretudo na altura dos Santos. Nesta festividade do dia de Todos os Santos, em Torres Novas, estes bolos integram a tradição popular do “pão por Deus”, pedido pelas crianças e partilhado entre familiares, vizinhos e amigos.

Ingredientes:

  • 10 g de fermento de padeiro
  • 100 ml de azeite
  • 50 g de manteiga
  • 1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (sobremesa) de canela
  • 1 colher (sobremesa) de erva-doce
  • 10 g de sal
  • 1,4 kg de açúcar amarelo
  • 2,5 limões (sumo e raspa)
  • 2,9 kg de farinha
  • água q.b.
  • ovo batido p/ pincelar

Confeção:

Para preparar a massa lêveda, coloque 400 g de farinha em monte num recipiente largo, faça-lhe um buraco ao centro e deite nele o sal e o fermento de padeiro (dissolvido num pouco de água morna).

Amasse e deixe levedar cerca de 15 minutos, até a massa apresentar um aspeto rendilhado no interior.

Faça um buraco na massa e deite dele  a restante farinha, a canela, a erva-doce, o bicarbonato de sódio, o açúcar e a raspa dos limões..

Amasse novamente e, aos poucos, regue o preparado com o azeite e a manteiga a ferver, desfazendo os torrões que se formam.

Junte o sumo dos limões e amasse muito bem, acrescentando, aos poucos, a água necessária para obter uma massa boa para tender (deve ter uma consistência ligeiramente mais dura que a massa do pão).

Unte a superfície da massa com azeite, cubra com película aderente e deixe levedar durante 3 horas, num local tépido. Tradicionalmente é feita uma cruz na massa antes de a pôr a levedar e, quando a cruz desaparecer, é sinal que a massa está lêveda.

Antes de tender a massa, unte e polvilhe os tabuleiros do forno com farinha. Reserve.

Polvilhe a bancada da cozinha com farinha e tenda os bolos com a sua forma típica, a lembrar um oito. Para tal, siga os passos descritos abaixo:

  1. Retire uma boa porção de massa e forme um rolo grosso, de onde vai retirando pedaços com cerca de 200 g.
  2. Role cada um deles sobre a bancada até formar um cilindro, cujas pontas se achatam com a palma da mão.
  3. Com ambas as mãos, aperte o rolo ao meio, formando duas «cabeças».
  4. Dobre a massa, sobrepondo as «cabeças», e aperte novamente com as mãos, dando origem a quatro «cabeças» ou uma cruz.
  5. Sobreponha duas das «cabeças», calcando com os dedos para unir a parte superior e inferior.

Coloque os bolos nos tabuleiros polvilhados de farinha, pincele com ovo batido e leve a cozer, em forno bem quente (± 250º C), cerca de 10-15 minutos.

NOTA:

Para deixar os bolos mais saborosos, junte uma proporção superior de erva-doce e canela (1 colher de sopa rasa de cada).

Fontes:  http://www.memoriamedia.net/index.php/bolos-de-cabeca; https://www.youtube.com/watch?v=UhNrfp0OhNU e http://club.nersant.pt/empresas/detalhes.aspx?id=375 (fotos)

Bolo de Mel da Madeira

O Bolo de Mel é o doce mais famoso do arquipélago da Madeira, caracterizando-se pela sua forma redonda e achatada e pelo longo período de conservação, que pode ir até 1 ano. Este bolo tradicional é confecionado à base de mel de cana e coberto com frutos secos, sendo enriquecido com diversas especiarias.

Embora não haja uma posição coerente relativamente ao seu aparecimento, a receita é muito antiga, remontando ao período áureo de produção do açúcar na região, entre o séc. XV e XVI. Há quem defenda que a receita terá surgido após a chegada das especiarias depois de descoberto o caminho marítimo para a Índia, havendo também quem alegue que é uma herança dos ingleses (que tiveram uma presença marcante na Madeira), mais não sendo do que uma adaptação do tradicional pudim de Natal dos britânicos.

Independentemente da origem, manda a tradição (já secular e que ainda hoje vigora) que o bolo de mel seja preparado no dia 8 de dezembro, para estar bom no Natal, festa de que faz parte integrante, embora seja consumido durante todo o ano.

Ingredientes:

Para a levedura
  • 300 ml de água
  • 30 g de fermento de padeiro
  • 500 g de farinha
Para a massa dos bolos
  • 1 kg de farinha s/ fermento
  • 1,5 g de cravinho
  • 1,5 g de erva-doce
  • 15 g de bicarbonato de soda
  • 15 g de canela
  • 150 g de banha
  • 150 g de passas
  • 200 ml de vinho da Madeira
  • 300 g de manteiga
  • 350 g de açúcar
  • 400 g de fruta cristalizada sortida
  • 50 g de amêndoa picada
  • 50 g de nozes
  • 800 ml de mel de cana da Madeira
  • 1 laranja

Confeção:

De véspera, prepare a levedura. Amasse a farinha com o fermento. Faça uma bola com a massa, tape com um plástico e deixar levedar em local ameno, entre 2 a 3 horas.

Quando o fermento estiver quase pronto, prepare a massa.

Peneire a farinha e o açúcar, faça uma cova ao meio e deite aí a massa de fermento, amassando muito bem.

Quando estiverem bem misturados, junte o mel, previamente amornado com as gorduras, ligando tudo. Junte os frutos, o vinho da Madeira com o bicarbonato, o sumo e a raspa da laranja e as especiarias.

Amasse bem até a massa se soltar do alguidar. Abafa-a com um pano e um cobertor, deixando-a levedar a uma temperatura amena, no mínimo durante 24 horas.

Deite a massa em formas redondas (15 cm de diâmetro e 4 cm de altura), muito bem untadas e forradas no fundo com papel vegetal, não as enchendo por completo.

Decore a superfície com meias nozes e/ou metades de amêndoa e leve a cozer em bem quente.

Depois de cozidos e frios, embrulhe os bolos em papel vegetal ou celofane e guarde-os em caixas, podendo conservar-se durante um ano.

Broas dos Santos

Está a chegar o dia de Santos e, como sempre, apetece-nos comer estas broas, que são os doces tradicionais da época. Deixamo-vos a receita das típicas broas dos Santos que, além da doçura, trazem também o reconforto da tradição. Esta receita original é fácil de preparar e rende bastante.

Ingredientes:

  • 1,2 kg de açúcar
  • 2 colheres (café) de sal
  • 2 colheres (sobremesa) de canela
  • 2 kg de farinha de trigo
  • 300 ml de azeite
  • 6 ovos + gema q.b. p/ pincelar
  • 60 g de erva-doce
  • leite q.b.
  • nozes q.b.

Confeção:

Ponha a farinha num recipiente largo, deite sobre ela o azeite a ferver seguido dos restantes ingredientes. Amasse muito bem, adicionando o leite necessário para tornar a massa apta para ser moldada, não a deixando ficar mole.

Tenda as broas num tabuleiro untado, barre-as com gema de ovo e, por fim, coloque uma metade de noz por cima.

Leve a cozer em forno quente.