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Castanhas em Rum (Sernancelhe)

Esta é uma deliciosa receita tradicional da região de Sernancelhe, famosa pela sua riquíssima produção de castanhas de qualidade. Neste doce, as castanhas são mergulhadas numa calda de açúcar e rum, devendo ser comidas somente 30 dias após a sua confeção.

É um doce simples de fazer e muito elegante, perfeito para o Natal ou qualquer outra ocasião.

Ingredientes:

  • 180 ml de água
  • 2 colheres (sopa) de coco ralado
  • 500 g de açúcar
  • castanhas grandes q.b.
  • rum q.b.

Confeção:

Descasque as castanhas e deite-as em água a ferver.

Leve-as a cozer durante 15 minutos, escorra-as e retire-lhes completamente a pele, tendo cuidado para que não se desmanchem.

Mergulhe as castanhas numa calda preparada com o açúcar e a água e, quando estiverem macias e bem ensopadas, tire-as com uma escumadeira.

Coloque-as em frascos de vidro, cobrindo-as depois com rum.

As castanhas só  se podem comer passados 30 dias.

Sonhos (Vila do Conde)

Em Portugal (e no Brasil também), os sonhos são muito famosos e apreciados, estando particularmente associados a épocas como o Natal, altura em que abundam os fritos.

A receita que hoje trazemos é típica de Vila do Conde e teve a sua origem no Convento de Santa Clara, uma referência na doçaria conventual da região e mesmo do país. Sendo um doce conventual, caracteriza-se pelo uso abundante de ovos, não levando as tradicionais abóbora ou cenoura. No final, os sonhos são polvilhados com açúcar e canela ou regados com uma calda de açúcar.

Ingredientes:

Para a massa
  • ½ litro de água
  • ½ litro de leite
  • 1 pitada de sal
  • 18 ovos
  • 250 g de manteiga
  • 600 g de farinha de trigo
Para a cobertura
  • açúcar e canela ou
  • calda de açúcar em ponto de espadana
  • 2 gemas grandes

Confeção:

Leve ao lume a água com 1 pitada de sal, o leite e a manteiga.

Quando estiver a ferver, junte a farinha de trigo e mexa rapidamente.

Quando a massa ficar como uma bola, retire do lume, e com as mãos, amasse à medida que for juntando os ovos batidos.

Usando 2 colheres de sopa, retire porções de massa e frite os sonhos em azeite ou numa mistura de azeite.

Deixe fritar lentamente, batendo-lhes com as costas da colher, para que os sonhos se voltem e fritem de todos os lados.

Sirva os sonhos polvilhados com açúcar e canela ou com uma calda de açúcar em ponto de espadana, deitada numa tigela onde estejam já duas gemas grandes batidas.

GLOSSÁRIO:
  • Ponto espadana
    Obtido após cerca de 3 minutos de fervura. Deve colocar a água ao lume e só depois acrescentar o açúcar (60 ml de água para 250 g de açúcar), dissolvê-lo e não mexer mais a calda.
SUGESTÃO:

Caso opte por fazer a calda para a cobertura, poderá preparar Arrepiados de Amêndoa (receita AQUI), uma delícia da doçaria regional algarvia que lhe permitirá dar uso às claras que não foram usadas nos sonhos.

Nógados (Vila Velha de Ródão)

Os nógados são doces tradicionais de Vila Velha de Ródão, vila localizada no distrito de Castelo Branco, na região centro de Portugal. Estes fritos, feitos à base de massa de pão, guarnecida com aguardente e suco de laranjas, e enriquecida com muitos ovos, são feitos em qualquer época do ano, sendo um dos doces tradicionais de Natal na região. No final, os nógados são regados com uma calda de açúcar, mel, limão e canela.

Ingredientes:

Para a massa
  • 1 copo de aguardente
  • 1 copo de leite
  • 1 kg de açúcar
  • 15 a 20 ovos
  • 250 ml de azeite morno
  • 3 kg de farinha
  • fermento biológico q.b.
  • massa de 1 pão pequeno
  • sal q.b.
  • suco de 5 a 6 laranjas
Para a calda
  • 1 pau de canela
  • água q.b.
  • casca de limão
  • mel q.b.

Confeção:

Deite os ingredientes da massa num alguidar de barro grande e amasse até fazer bolhas.

Coloque o alguidar em local ameno e deixe a massa levedar.

Quando a massa estiver lêveda, tire pequenas porções e faça bolas, das quais fará palitos que enrola e frita depois em óleo bem quente. Com o calor, a massa tenderá a enrolar; com o garfo, ajude-a a adquirir o formato próprio dos nógados.

Prepare a calda, levando ao lume a água com o mel, a casca de limão e o pau de canela.

Depois de fritos, cubra os nógados com a calda.

Doce de Família (Estremoz)

Este doce é típico de Arcos, no concelho de Estremoz, Alentejo. Trata-se de uma sobremesa deliciosa, feita em camadas, começando por um doce de ovos que vai ao forno e é regado com calda de açúcar; por cima desta, são deitados ovos-moles e a cobertura é feita com açúcar queimado.

Uma receita perfeita para uma ocasião festiva ou para finalizar uma refeição em família, com sabores tradicionais do Alentejo.

Ingredientes:

Para o doce
  • 10 gemas
  • 5 claras
Para a calda
  • 200 ml de água
  • 300 g de açúcar
Para os ovos-moles
  • 100 ml de água
  • 125 g de açúcar
  • 5 gemas
Para a cobertura
  • 50 g de açúcar queimado

 Confeção:

Bata as gemas durante 15 minutos com a colher de pau.

Misture as claras em castelo e deite o preparado num tabuleiro (21 x 30 cm), untado e forrado com papel vegetal, também untado.

Leve a cozer em forno moderado.

Desenforme o doce em quente e ensope-o com uma calda em ponto de fio.

Para os ovos-moles, levar a água ao lume com o açúcar e deixe ferver cerca de 30 segundos. Retire.

Mexa muito bem as gemas e, com um passador, misture-as lentamente na calda, mexendo sempre com uma vara de arames.

Leve ao lume e mexa lentamente com colher de pau, em movimentos retilíneos, até ficar com a consistência desejada.

Cubra o doce com os ovos-moles e, por cima destes, deite o açúcar queimado, às colheradas. Alise rapidamente a superfície.

Com um ferro quente, queime o açúcar em diferentes sítios.

Rabanadas Minhotas

Também conhecidas por Fatias Douradas no sul de Portugal, as rabanadas são um dos doces de Natal mais significativos no Minho, sendo muito popular por toda a região. A sua presença é indispensável na mesa da Consoada.

A confeção da receita é muito simples, tendo como elemento principal as fatias de pão que, depois de molhada em leite, passadas por ovos e fritas, são regadas com uma calda de vinho (no Minho usa-se vinho verde) ou calda de açúcar.

A receita das rabanadas tem muitas variações, dependendo da tradição ou região do país onde são confecionadas. A receita das rabanadas antigas conta com ingredientes como a canela, casca de limão, vinho verde e mel. Em algumas regiões, como Barcelos, mantém-se a tradição de as preparar com mel.

As rabanadas minhotas devem ser feitas de véspera, para ficarem bem embebidas e apaladadas.

Ingredientes:

(para 10 rabanadas)
  • 1 pau de canela
  • 1 pão de cacete (cerca de 500 g) de véspera
  • 4 ovos
  • açúcar e canela p/ polvilhar
    (na proporção de 4 partes de açúcar para 1 de canela)
Para a calda
  • ½ cálice de vinho verde
  • ½ kg de açúcar
  • 1 casca de laranja
  • 300 ml de água

Confeção:

Comece por cortar o cacete em fatias com cerca de 1 cm de espessura.

Ferva o leite com o pau de canela e a casca de limão.

Regue as fatias com o leite fervido, de modo a ficarem bem demolhadas.

Bata os ovos e, depois de espremer um pouco as fatias entre as palmas das mãos, passe-as bem pelo ovo batido.

Frite as fatias de pão em óleo bem quente, virando-as para ficarem bem lourinhas de ambos os lados.

À medida que for fritando as rabanadas, polvilhe-as com açúcar e canela, colocando-as num prato fundo.

Prepare a calda, começando por misturar o açúcar com a água e a casaca de laranja. Leve ao lume e deixe ferver durante 3 minutos.

Junte o vinho verde e deixe levantar fervura. Prove e, se o vinho for muito agreste, deite-lhe um pouco mais de açúcar.

Retire a calda do lume e deite-as de imediato sobre as rabanadas, que deverá ir virando para ensoparem por igual.