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Bolos de Cabeça (Torres Novas)

Estes bolos, feitos com uma massa fermentada, maciça mas fofa, aromatizada com canela, erva-doce e limão, são uma especialidade da doçaria regional de Torres Novas, sendo presença quase obrigatória nas festas e romarias do concelho. Embora se tendam de maneira diferente, a massa é semelhante à de outros bolos que se fazem na região Oeste, também muito frequentes nas festas de casamento, como lembrança dos noivos para os convidados – exemplo disso são as ferraduras, os bolos de festa ou os bolos de noivos.

Os bolos de cabeça têm em si os traços da doçaria popular, com os seus torcidos e entrançados característicos. Começaram por ter a forma de cruz, mas como são tradicionalmente oferecidos nos casamentos, estes bolos passaram a ter a forma de duas cabeças, que representam os noivos, uma vez que relação e vida do casal é feita a dois.

Com a mesma massa podem tender-se formas mais simples, como ferraduras e bolinhas (polvilhadas com açúcar e enfeitadas com uma noz), sendo estas últimas confecionadas sobretudo na altura dos Santos. Nesta festividade do dia de Todos os Santos, em Torres Novas, estes bolos integram a tradição popular do “pão por Deus”, pedido pelas crianças e partilhado entre familiares, vizinhos e amigos.

Ingredientes:

  • 10 g de fermento de padeiro
  • 100 ml de azeite
  • 50 g de manteiga
  • 1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (sobremesa) de canela
  • 1 colher (sobremesa) de erva-doce
  • 10 g de sal
  • 1,4 kg de açúcar amarelo
  • 2,5 limões (sumo e raspa)
  • 2,9 kg de farinha
  • água q.b.
  • ovo batido p/ pincelar

Confeção:

Para preparar a massa lêveda, coloque 400 g de farinha em monte num recipiente largo, faça-lhe um buraco ao centro e deite nele o sal e o fermento de padeiro (dissolvido num pouco de água morna).

Amasse e deixe levedar cerca de 15 minutos, até a massa apresentar um aspeto rendilhado no interior.

Faça um buraco na massa e deite dele  a restante farinha, a canela, a erva-doce, o bicarbonato de sódio, o açúcar e a raspa dos limões..

Amasse novamente e, aos poucos, regue o preparado com o azeite e a manteiga a ferver, desfazendo os torrões que se formam.

Junte o sumo dos limões e amasse muito bem, acrescentando, aos poucos, a água necessária para obter uma massa boa para tender (deve ter uma consistência ligeiramente mais dura que a massa do pão).

Unte a superfície da massa com azeite, cubra com película aderente e deixe levedar durante 3 horas, num local tépido. Tradicionalmente é feita uma cruz na massa antes de a pôr a levedar e, quando a cruz desaparecer, é sinal que a massa está lêveda.

Antes de tender a massa, unte e polvilhe os tabuleiros do forno com farinha. Reserve.

Polvilhe a bancada da cozinha com farinha e tenda os bolos com a sua forma típica, a lembrar um oito. Para tal, siga os passos descritos abaixo:

  1. Retire uma boa porção de massa e forme um rolo grosso, de onde vai retirando pedaços com cerca de 200 g.
  2. Role cada um deles sobre a bancada até formar um cilindro, cujas pontas se achatam com a palma da mão.
  3. Com ambas as mãos, aperte o rolo ao meio, formando duas «cabeças».
  4. Dobre a massa, sobrepondo as «cabeças», e aperte novamente com as mãos, dando origem a quatro «cabeças» ou uma cruz.
  5. Sobreponha duas das «cabeças», calcando com os dedos para unir a parte superior e inferior.

Coloque os bolos nos tabuleiros polvilhados de farinha, pincele com ovo batido e leve a cozer, em forno bem quente (± 250º C), cerca de 10-15 minutos.

NOTA:

Para deixar os bolos mais saborosos, junte uma proporção superior de erva-doce e canela (1 colher de sopa rasa de cada).

Fontes:  http://www.memoriamedia.net/index.php/bolos-de-cabeca; https://www.youtube.com/watch?v=UhNrfp0OhNU e http://club.nersant.pt/empresas/detalhes.aspx?id=375 (fotos)

Bolo de Mel da Madeira

O Bolo de Mel é o doce mais famoso do arquipélago da Madeira, caracterizando-se pela sua forma redonda e achatada e pelo longo período de conservação, que pode ir até 1 ano. Este bolo tradicional é confecionado à base de mel de cana e coberto com frutos secos, sendo enriquecido com diversas especiarias.

Embora não haja uma posição coerente relativamente ao seu aparecimento, a receita é muito antiga, remontando ao período áureo de produção do açúcar na região, entre o séc. XV e XVI. Há quem defenda que a receita terá surgido após a chegada das especiarias depois de descoberto o caminho marítimo para a Índia, havendo também quem alegue que é uma herança dos ingleses (que tiveram uma presença marcante na Madeira), mais não sendo do que uma adaptação do tradicional pudim de Natal dos britânicos.

Independentemente da origem, manda a tradição (já secular e que ainda hoje vigora) que o bolo de mel seja preparado no dia 8 de dezembro, para estar bom no Natal, festa de que faz parte integrante, embora seja consumido durante todo o ano.

Ingredientes:

Para a levedura
  • 300 ml de água
  • 30 g de fermento de padeiro
  • 500 g de farinha
Para a massa dos bolos
  • 1 kg de farinha s/ fermento
  • 1,5 g de cravinho
  • 1,5 g de erva-doce
  • 15 g de bicarbonato de soda
  • 15 g de canela
  • 150 g de banha
  • 150 g de passas
  • 200 ml de vinho da Madeira
  • 300 g de manteiga
  • 350 g de açúcar
  • 400 g de fruta cristalizada sortida
  • 50 g de amêndoa picada
  • 50 g de nozes
  • 800 ml de mel de cana da Madeira
  • 1 laranja

Confeção:

De véspera, prepare a levedura. Amasse a farinha com o fermento. Faça uma bola com a massa, tape com um plástico e deixar levedar em local ameno, entre 2 a 3 horas.

Quando o fermento estiver quase pronto, prepare a massa.

Peneire a farinha e o açúcar, faça uma cova ao meio e deite aí a massa de fermento, amassando muito bem.

Quando estiverem bem misturados, junte o mel, previamente amornado com as gorduras, ligando tudo. Junte os frutos, o vinho da Madeira com o bicarbonato, o sumo e a raspa da laranja e as especiarias.

Amasse bem até a massa se soltar do alguidar. Abafa-a com um pano e um cobertor, deixando-a levedar a uma temperatura amena, no mínimo durante 24 horas.

Deite a massa em formas redondas (15 cm de diâmetro e 4 cm de altura), muito bem untadas e forradas no fundo com papel vegetal, não as enchendo por completo.

Decore a superfície com meias nozes e/ou metades de amêndoa e leve a cozer em bem quente.

Depois de cozidos e frios, embrulhe os bolos em papel vegetal ou celofane e guarde-os em caixas, podendo conservar-se durante um ano.

Bolo Podre da Madeira

Em Portugal, existem diferentes versões do bolo podre, sendo comum a utilização de especiarias. Na receita tradicional da Madeira, em vez destas, a massa é enriquecida com os frutos secos e as frutas cristalizadas, sendo, também por isso, um bolo muito popular na época do Natal.

Ingredientes:

  • 100 g de frutas cristalizadas (ou cidrão)
  • 125 g de amêndoas
  • 125 g de passas
  • 2 chávenas de açúcar
  • 2 chávenas de farinha
  • 2 chávenas de leite
  • 2 colheres (chá) de bicarbonato de sódio
  • 2 colheres (sopa) de banha
  • 2 colheres (sopa) de manteiga
  • 2 colheres (sopa) de mel de cana
  • 2 ovos

Confeção:

Pique bem as frutas cristalizadas e reserve.

Bata e o açúcar com a manteiga e a banha.

Junte o melaço e o leite, misturando bem.

Acrescente os ovos e bata de forma a obter um preparado homogéneo.

Adicione a farinha, peneirada com o bicarbonato, e as frutas cristalizadas, envolvendo bem.

Deite a massa numa forma grande, untada e forrada com papel vegetal.

Leve a cozer, em forno pré-aquecido a 180º C, cerca de 1 hora.

Depois de cozido, retire o bolo do forno, deixe arrefecer um pouco e desenforme.

Foto: http://quichedemacaxeira.wordpress.com

Bolo de Abóbora com Nozes e Glacê

A abóbora é um ingrediente que se presta a fazer inúmeras receitas de culinária e doçaria, sendo muito comum nas receitas tradicionais portuguesas. Este bolo, que não é demasiado doce, é um exemplo das delícias que se podem fazer com a abóbora.

A mistura da massa de abóbora com  as nozes é ótimas, mas nesta receita junta-se também a cobertura com glacê, que dá um aspeto requintado ao bolo, deixando-o ainda mais húmido e com um sabor maravilhoso.

Ingredientes:

  • 1 colher (café) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (chá) de fermento em pó
  • 1 colher (sobremesa) de canela em pó
  • 1 pitada de flor de sal
  • 200 ml de azeite
  • 200 g de miolo de noz picada
  • 250 g de açúcar
  • 350 g de farinha
  • 4 ovos
  • 400 g de abóbora (cozida bem escorrida e reduzida a puré)
  • glacê p/ a cobertura

Confeção:

Bata os ovos com o azeite, juntando de seguida o puré de abóbora.

Aos poucos, vá juntando a farinha, previamente misturada com o fermento e o bicarbonato de sódio, o açúcar, a canela e a pitada de sal.

Por fim envolva as nozes picadas.

Deite o preparado numa forma previamente bem untada e polvilhada de farinha.

Leve a cozer em forno médio, aproximadamente 1 hora (convém verificar a cozedura).

Desenforme e, depois de frio, cubra o bolo com glacê.

Queques de Abóbora

Estes queques são uma forma muito gostosa de comer abóbora. Estes bolos fazem as delícias das crianças e são muito bons para enviar para o lanche da escola – sendo uma receita caseira, sabemos que estão a comer algo de que gostam e que nós sabemos ser bom.

Ingredientes:

(para 14 queques)
  • 1 colher (chá) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (chá) de noz-moscada ralada
  • 1 ovo
  • 1 pitada de sal
  • 1,5 colher (chá) de canela em pó
  • 120 g de manteiga
  • 150 g de açúcar mascavado
  • 225 g de abóbora cozida
  • 225 g de farinha
  • 30 g de sultanas ou corintos
  • 4 colheres (sopa) de melaço

Confeção:

Bata a manteiga até ficar em creme.

Junte o açúcar e o melaço, batendo até estar fofo.

Adicione o ovo e a abóbora e misture bem.

Peneire a farinha sobre o preparado, acrescentando depois um pouco de sal, o bicarbonato, a canela e a noz-moscada. Misture sem bater e junte as sultanas.

Deite a massa em 14 formas, previamente untadas, até ¾ da altura.

Leve a cozer, em forno pré-aquecido a 200º C, entre 12 a 15 minutos, até os queques estarem firmes, mas fofos.