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Cornucópias (Angra do Heroísmo)

As cornucópias são uma especialidade de Angra do Heroísmo, cidade da ilha Terceira, nos Açores. São feitas de farinha, manteiga, banha, açúcar, pão torrado, amêndoas raladas, sendo recheadas com ovos-moles depois de frias.

Relativamente à origem deste doce regional açoriano, sabe-se que as cornucópias foram criadas pelas mãos sábias e experientes das freiras, sendo uma das inúmeras relíquias da doçaria conventual portuguesa, também associadas às tradições de Natal.

Ingredientes:

(cerca de 30 cornucópias)
Para a massa
  • 100 g de banha
  • 100 ml de água quente
  • 2 claras p/ pincelar
  • 2 colheres (sopa) de pão ralado
  • 4 colheres (sopa) de amêndoa ralada
  • 50 g de açúcar
  • 50 g de manteiga à temperatura ambiente
  • 500 g de farinha
Para o recheio de ovos-moles
  • 250 g de açúcar
  • 8 colheres (sopa) | 120 ml de água
  • 8 gemas
Material necessário
  • formas em cone p/ cornucópias

Confeção do modo Tradicional:

Unte muito bem as formas de cornucópias e reserve.

Junte a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar. Amasse-os muito bem, juntando a água quente à medida que vai sendo absorvida, até que a massa forme uma bola e se solte dos bordos do recipiente.

Cubra a massa com película aderente e deixe-a repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Leve a água com o açúcar ao lume e deixe ferver cerca de 2 minutos até ficar em ponto de pérola (verifica-se o ponto deixando correr um pouco de calda de uma colher; esta corre em fio e fica com uma bola suspensa na ponta). Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.

Bata ligeiramente as gemas e passe-as por um coador de rede fina para uma tigela.

Volte a colocar a calda em lume moderado e deite as gemas, em fio, mexendo continuamente até que engrossem.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

Preparação na Bimby:

Coloque no copo a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar.

Selecione o modo Espiga e, através do bocal, vá adicionando a água, aos poucos, até que a massa se forme numa bola e se despegue dos bordos do copo.

Coloque a massa numa taça, cubra com película aderente e deixe repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Coloque a água e o açúcar no copo da Bimby e programe 20 min./ Varoma/ vel. 1.

Retire o copo da base (para que arrefeça mais rápido) e deixe arrefecer até aos 60º C, cerca de 20 minutos.

Coloque as gemas numa taça e deite um pouco da calda sobre elas, misturando bem.

Coloque a borboleta no copo e programe 7 min./ 100º C/ vel. 1.

Junte as gemas em fio, pelo bocal da tampa, e deixe terminar o tempo programado.

Retire os ovos-moles do copo para uma taça e reserve.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

NOTA:

As formas de cone encontram-se à venda em lojas de produtos para pastelaria.

SUGESTÃO:

Aproveite as claras restantes preparando um Semifrio de Amêndoas com Molho de Chocolate (veja a receita AQUI).

Já saiu o Ebook de Doces para os Santos

Acaba de ser publicado o ebook (ou livro digital) com receitas de doces regionais/tradicionais do dia de Todos os Santos, celebrado a 1 de novembro.

Além da referência a algumas das tradições outrora usadas nesta data, que ainda hoje se mantêm vivas em algumas regiões, o livro contém 88 receitas de doces alusivos à celebração do dia de Todos os Santos, em que as broas doces ocupam um papel de destaque.

Prático, funcional e muito económico, o livro digital permite destacar partes do texto, fazer anotações à margem e pesquisas. Sempre em interatividade com o blogue, o ebook permite consultar outras receitas publicadas e esclarecer procedimentos ou técnicas de preparação dos doces.

Além deste livro, que poderá adquirir AQUI, temos outros títulos já publicados, relacionados com datas festivas como o Natal, Páscoa, Carnaval,  dia dos Namorados e um exclusivamente dedicado à Doçaria Conventual, tão marcante na doçaria tradicional portuguesa. Caso ainda não  conheça, poderá consultar todos os ebooks na nossa loja virtual.

Sugerimos, pois, que adquira o livro e o explore, conhecendo as receitas para as poder experimentar e celebrar o dia de Todos os Santos com o delicioso sabor da Tradição…

Bolo de Mel da Madeira

O Bolo de Mel é o doce mais famoso do arquipélago da Madeira, caracterizando-se pela sua forma redonda e achatada e pelo longo período de conservação, que pode ir até 1 ano. Este bolo tradicional é confecionado à base de mel de cana e coberto com frutos secos, sendo enriquecido com diversas especiarias.

Embora não haja uma posição coerente relativamente ao seu aparecimento, a receita é muito antiga, remontando ao período áureo de produção do açúcar na região, entre o séc. XV e XVI. Há quem defenda que a receita terá surgido após a chegada das especiarias depois de descoberto o caminho marítimo para a Índia, havendo também quem alegue que é uma herança dos ingleses (que tiveram uma presença marcante na Madeira), mais não sendo do que uma adaptação do tradicional pudim de Natal dos britânicos.

Independentemente da origem, manda a tradição (já secular e que ainda hoje vigora) que o bolo de mel seja preparado no dia 8 de dezembro, para estar bom no Natal, festa de que faz parte integrante, embora seja consumido durante todo o ano.

Ingredientes:

Para a levedura
  • 300 ml de água
  • 30 g de fermento de padeiro
  • 500 g de farinha
Para a massa dos bolos
  • 1 kg de farinha s/ fermento
  • 1,5 g de cravinho
  • 1,5 g de erva-doce
  • 15 g de bicarbonato de soda
  • 15 g de canela
  • 150 g de banha
  • 150 g de passas
  • 200 ml de vinho da Madeira
  • 300 g de manteiga
  • 350 g de açúcar
  • 400 g de fruta cristalizada sortida
  • 50 g de amêndoa picada
  • 50 g de nozes
  • 800 ml de mel de cana da Madeira
  • 1 laranja

Confeção:

De véspera, prepare a levedura. Amasse a farinha com o fermento. Faça uma bola com a massa, tape com um plástico e deixar levedar em local ameno, entre 2 a 3 horas.

Quando o fermento estiver quase pronto, prepare a massa.

Peneire a farinha e o açúcar, faça uma cova ao meio e deite aí a massa de fermento, amassando muito bem.

Quando estiverem bem misturados, junte o mel, previamente amornado com as gorduras, ligando tudo. Junte os frutos, o vinho da Madeira com o bicarbonato, o sumo e a raspa da laranja e as especiarias.

Amasse bem até a massa se soltar do alguidar. Abafa-a com um pano e um cobertor, deixando-a levedar a uma temperatura amena, no mínimo durante 24 horas.

Deite a massa em formas redondas (15 cm de diâmetro e 4 cm de altura), muito bem untadas e forradas no fundo com papel vegetal, não as enchendo por completo.

Decore a superfície com meias nozes e/ou metades de amêndoa e leve a cozer em bem quente.

Depois de cozidos e frios, embrulhe os bolos em papel vegetal ou celofane e guarde-os em caixas, podendo conservar-se durante um ano.

Broas dos Santos

Está a chegar o dia de Santos e, como sempre, apetece-nos comer estas broas, que são os doces tradicionais da época. Deixamo-vos a receita das típicas broas dos Santos que, além da doçura, trazem também o reconforto da tradição. Esta receita original é fácil de preparar e rende bastante.

Ingredientes:

  • 1,2 kg de açúcar
  • 2 colheres (café) de sal
  • 2 colheres (sobremesa) de canela
  • 2 kg de farinha de trigo
  • 300 ml de azeite
  • 6 ovos + gema q.b. p/ pincelar
  • 60 g de erva-doce
  • leite q.b.
  • nozes q.b.

Confeção:

Ponha a farinha num recipiente largo, deite sobre ela o azeite a ferver seguido dos restantes ingredientes. Amasse muito bem, adicionando o leite necessário para tornar a massa apta para ser moldada, não a deixando ficar mole.

Tenda as broas num tabuleiro untado, barre-as com gema de ovo e, por fim, coloque uma metade de noz por cima.

Leve a cozer em forno quente.

Pastéis de Arroz da Graciosa (Açores)

Estas pastéis, típicos da Ilha Graciosa, no arquipélago dos Açores, são muito delicados e saborosos. São dos doces de Natal mais tradicionais naquela ilha, sendo indispensáveis na mesa da consoada.

O recheio, que também leva amêndoas, começa a ser preparado no dia anterior ao da confeção dos pastéis e estes têm a forma de meia-lua.

Ingredientes:

Para a massa
  • 1 chávena de farinha
  • 1 colher (chá) bem cheia de manteiga
  • 1 colher (chá) bem cheia de açúcar
  • 2 gemas
  • água q.b.
  • açúcar em pó p/ polvilhar os pastéis
Para o recheio
  • 1 chávena de arroz
  • 1 pitada de sal
  • 500 g de açúcar
  • 60 g de amêndoas
  • 8 gemas
  • água q.b.

Confeção:

Para o recheio, que deve ser feito de véspera, introduza o arroz em água a ferver, temperada com um pouco de sal, e deixe cozer bem. Escorra e reduza-o a puré.

Leve o açúcar ao lume com 300 ml de água até fazer ponto de pérola (a calda é espessa e corre em fio, ficando uma gota suspensa na extermidade, como se fosse uma pérola).

Deixe a calda arrefecer um pouco, junte o puré de arroz e leve ao lume a engrossar.

Retire o preparado do calor, junte a amêndoa e as gemas e leve novamente ao lume para cozer as gemas. Deixe repousar.

No dia seguinte, peneire a farinha da massa, fazendo uma cova no meio onde deita a manteiga, o açúcar e as gemas.

Misture tudo e amasse com um pouco de água. Trabalhe bem a massa, cubra-a com um pano e deixa-se descansar.

Estenda a massa de forma a ficar muito fina, recheie os pastéis e corte-os em meia-lua.

Disponha-os em tabuleiros bem untados, polvilhe com açúcar em pó e deixe-os cozer sem alourar.

Quando estiverem cozidos, deverá retirar os pastéis do tabuleiro com cuidado.