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Bolo de Mel da Madeira

O Bolo de Mel é o doce mais famoso do arquipélago da Madeira, caracterizando-se pela sua forma redonda e achatada e pelo longo período de conservação, que pode ir até 1 ano. Este bolo tradicional é confecionado à base de mel de cana e coberto com frutos secos, sendo enriquecido com diversas especiarias.

Embora não haja uma posição coerente relativamente ao seu aparecimento, a receita é muito antiga, remontando ao período áureo de produção do açúcar na região, entre o séc. XV e XVI. Há quem defenda que a receita terá surgido após a chegada das especiarias depois de descoberto o caminho marítimo para a Índia, havendo também quem alegue que é uma herança dos ingleses (que tiveram uma presença marcante na Madeira), mais não sendo do que uma adaptação do tradicional pudim de Natal dos britânicos.

Independentemente da origem, manda a tradição (já secular e que ainda hoje vigora) que o bolo de mel seja preparado no dia 8 de dezembro, para estar bom no Natal, festa de que faz parte integrante, embora seja consumido durante todo o ano.

Ingredientes:

Para a levedura
  • 300 ml de água
  • 30 g de fermento de padeiro
  • 500 g de farinha
Para a massa dos bolos
  • 1 kg de farinha s/ fermento
  • 1,5 g de cravinho
  • 1,5 g de erva-doce
  • 15 g de bicarbonato de soda
  • 15 g de canela
  • 150 g de banha
  • 150 g de passas
  • 200 ml de vinho da Madeira
  • 300 g de manteiga
  • 350 g de açúcar
  • 400 g de fruta cristalizada sortida
  • 50 g de amêndoa picada
  • 50 g de nozes
  • 800 ml de mel de cana da Madeira
  • 1 laranja

Confeção:

De véspera, prepare a levedura. Amasse a farinha com o fermento. Faça uma bola com a massa, tape com um plástico e deixar levedar em local ameno, entre 2 a 3 horas.

Quando o fermento estiver quase pronto, prepare a massa.

Peneire a farinha e o açúcar, faça uma cova ao meio e deite aí a massa de fermento, amassando muito bem.

Quando estiverem bem misturados, junte o mel, previamente amornado com as gorduras, ligando tudo. Junte os frutos, o vinho da Madeira com o bicarbonato, o sumo e a raspa da laranja e as especiarias.

Amasse bem até a massa se soltar do alguidar. Abafa-a com um pano e um cobertor, deixando-a levedar a uma temperatura amena, no mínimo durante 24 horas.

Deite a massa em formas redondas (15 cm de diâmetro e 4 cm de altura), muito bem untadas e forradas no fundo com papel vegetal, não as enchendo por completo.

Decore a superfície com meias nozes e/ou metades de amêndoa e leve a cozer em bem quente.

Depois de cozidos e frios, embrulhe os bolos em papel vegetal ou celofane e guarde-os em caixas, podendo conservar-se durante um ano.

Broas dos Santos

Está a chegar o dia de Santos e, como sempre, apetece-nos comer estas broas, que são os doces tradicionais da época. Deixamo-vos a receita das típicas broas dos Santos que, além da doçura, trazem também o reconforto da tradição. Esta receita original é fácil de preparar e rende bastante.

Ingredientes:

  • 1,2 kg de açúcar
  • 2 colheres (café) de sal
  • 2 colheres (sobremesa) de canela
  • 2 kg de farinha de trigo
  • 300 ml de azeite
  • 6 ovos + gema q.b. p/ pincelar
  • 60 g de erva-doce
  • leite q.b.
  • nozes q.b.

Confeção:

Ponha a farinha num recipiente largo, deite sobre ela o azeite a ferver seguido dos restantes ingredientes. Amasse muito bem, adicionando o leite necessário para tornar a massa apta para ser moldada, não a deixando ficar mole.

Tenda as broas num tabuleiro untado, barre-as com gema de ovo e, por fim, coloque uma metade de noz por cima.

Leve a cozer em forno quente.

Pastéis de Arroz da Graciosa (Açores)

Estas pastéis, típicos da Ilha Graciosa, no arquipélago dos Açores, são muito delicados e saborosos. São dos doces de Natal mais tradicionais naquela ilha, sendo indispensáveis na mesa da consoada.

O recheio, que também leva amêndoas, começa a ser preparado no dia anterior ao da confeção dos pastéis e estes têm a forma de meia-lua.

Ingredientes:

Para a massa
  • 1 chávena de farinha
  • 1 colher (chá) bem cheia de manteiga
  • 1 colher (chá) bem cheia de açúcar
  • 2 gemas
  • água q.b.
  • açúcar em pó p/ polvilhar os pastéis
Para o recheio
  • 1 chávena de arroz
  • 1 pitada de sal
  • 500 g de açúcar
  • 60 g de amêndoas
  • 8 gemas
  • água q.b.

Confeção:

Para o recheio, que deve ser feito de véspera, introduza o arroz em água a ferver, temperada com um pouco de sal, e deixe cozer bem. Escorra e reduza-o a puré.

Leve o açúcar ao lume com 300 ml de água até fazer ponto de pérola (a calda é espessa e corre em fio, ficando uma gota suspensa na extermidade, como se fosse uma pérola).

Deixe a calda arrefecer um pouco, junte o puré de arroz e leve ao lume a engrossar.

Retire o preparado do calor, junte a amêndoa e as gemas e leve novamente ao lume para cozer as gemas. Deixe repousar.

No dia seguinte, peneire a farinha da massa, fazendo uma cova no meio onde deita a manteiga, o açúcar e as gemas.

Misture tudo e amasse com um pouco de água. Trabalhe bem a massa, cubra-a com um pano e deixa-se descansar.

Estenda a massa de forma a ficar muito fina, recheie os pastéis e corte-os em meia-lua.

Disponha-os em tabuleiros bem untados, polvilhe com açúcar em pó e deixe-os cozer sem alourar.

Quando estiverem cozidos, deverá retirar os pastéis do tabuleiro com cuidado.

Merendeiras de Maçã

Esta é uma forma diferente e original de confecionar as tradicionais merendeiras, ou broas dos Santos. Em vez do puré de batata ou abóbora, é usado o puré de maçã, dando-lhes uma sabor único, que liga muito bem com os frutos secos. Uma forma deliciosa de aliar a tradição à criatividade!…

Ingredientes:

  • 1 colher (sopa) de fermento em pó
  • 1 kg de farinha
  • 1 limão (raspa)
  • 100 g de margarina
  • 3 ovos + 1 gema p/ pincelar
  • 500 g de açúcar
  • 500 g de puré de maçã
  • frutos secos a gosto

Confeção:

Misture o puré da maçã com o açúcar.

Junte os ovos, a margarina derretida, a farinha (previamente misturada com o fermento) e a raspa de limão.

Amasse um pouco e incorpore os frutos secos.

Tape a massa e deixe-a repousar durante ½ hora.

Molde as merendeiras e disponha-as num tabuleiro polvilhado com farinha.

Pincele a superfície dos bolos com gema e leve ao forno a cozer.

Leite-creme Conventual

O leite-creme é uma das sobremesas de referência da cozinha tradicional portuguesa. A receita é de origem conventual, havendo inúmeras variantes, todas elas com uma generosa quantidade de gemas. Além de ser perfeito para servir à sobremesa, o leite-creme fica sempre bem numa mesa de festa, sendo presença habitual à mesa nas celebrações do Natal.

A receita aqui apresentada, cujo nome reforça a sua origem, terá sido criada no Convento de S. Bento de Monção, no distrito de Viana do Castelo.

Ingredientes:

  • 1 litro de leite
  • 12 gemas
  • 300 g de açúcar + q.b. p/ queimar
  • 75 g de farinha de trigo
  • casca de 1 limão

Confeção do modo tradicional:

Ferva o leite com a casca de limão. Deixe amornar e retire a casca de limão.

Junte a farinha, em chuva, ao leite e mexa bem para não criar grumos.

Bata as gemas com o açúcar até obter um creme esbranquiçado.

Junte a gemada ao leite e leve ao lume, mexendo sempre com uma vara de arames, até engrossar.

Deite o leite-creme numa travessa ou em taças individuais.

Depois de frio, deite açúcar na superfície e queime com um ferro próprio para o efeito ou com um maçarico de cozinha.

Preparação na Bimby:

Junte todos os ingredientes e programe 12 min./ 90º/ vel. 2 ½.

Retire a casca do limão e deite numa travessa ou em taças individuais. Depois de frio, deite açúcar na superfície e queime o leite-creme com um ferro próprio para o efeito ou com um maçarico de cozinha.

Nota:

As quantidades apresentadas são as da receita tradicional; poderá, no entanto, reduzir a quantidade de gemas e de açúcar, atendendo ao seu gosto pessoal.

SUGESTÃO:

Faça o aproveitamento das claras preparando um Pudim Molotov ou os deliciosos Amores de Azeitão.