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Bolo de Figos Secos (Torres Novas)

A produção de figo é uma atividade fulcral na região de Torres Novas, recuando ao século XIX, quando surgiu como uma alternativa às vinhas, na altura fortemente afetadas por uma praga de insetos [a filoxera] que assolou a Europa. A boa adaptação ao meio fez com que a importância socioeconómica da cultura do figo ganhasse cada vez mais destaque na região, dando origem a novos hábitos, receitas e tradições que ainda hoje têm grande expressão. Gradualmente, o figo (fresco e seco) foi ganhando expressão a nível local e nacional, sendo hoje uma das mais fortes representações da região de Torres Novas.

Além de ser exportado e consumido localmente, o figo passou a ser usado na confeção de muitas receitas, sobretudo doces. Dentre elas, destaca-se este bolo de figos secos, que é uma das especialidades mais afamadas de Torres Novas. Além do figo, neste doce regional entram ingredientes como a amêndoa, o chocolate, especiarias (erva-doce e canela), brandy | conhaque, limão e mel.

Ingredientes:

  • 1 cálice de conhaque
  • 1 colher (café) de erva-doce em pó
  • 1 colher (sobremesa) de canela
  • 150 ml de água
  • 4 colheres (sopa) de mel + q.b. p/ a superfície
  • 40 g de chocolate em pó
  • 400 g de açúcar
  • 400 g de figos secos
  • 400 g de miolo de amêndoa
  • amêndoa p/ a decoração
  • raspa de 1 limão

Confeção:

Aqueça o forno 180º C.

Corte os figos em pedaços e coloque-os num tabuleiro.

Coloque a amêndoa noutro tabuleiro e leve ambos ao forno para alourarem um pouco.

Retire do calor, deixe arrefecer e triture os frutos secos. Reserve.

Misture o açúcar com a água, o chocolate, a erva-doce, a canela, a raspa do limão e o mel. Leve a lume brando cerca de 15 minutos, até obter ponto de fio (para verificar este ponto, mergulhe os dedos polegar e indicador em água fria; coloque um pouco de calda entre eles e, ao juntar e afastar os dedos, a calda forma um fio que se rompe facilmente, ficando uma apenas um pequena gota  em cada dedo).

Retire do lume e junte a amêndoa, o figo e o conhaque.

Leve novamente ao lume, mexendo sempre, até secar um pouco.

Retire e deixe arrefecer um pouco.

Deite o preparado, ainda quente, numa forma untada, e  calque bem com uma colher de pau.

Decore a superfície do bolo com a amêndoa e leve a meio do forno até alourar.

Deixe o bolo de figo arrefecer, desenforme e pincele com mel.

Sopa Dourada

A sopa dourada é um dos doces mais populares na mesa de Natal em Portugal, sendo indispensável na região norte do país. A receita varia consoante a localidade onde é confecionada – há regiões onde é feita com fatias de pão duro e outras em que é o pão de ló que serve de base à confeção do doce.

Esta receita leva uma quantidade considerável de gemas e de amêndoas, ingredientes indispensáveis  na doçaria conventual, que esteve na origem deste doce tradicional de Natal. Como é feita com pão, a sopa dourada que aqui lhe apresentamos é uma excelente forma de fazer aproveitamento de sobras que possa ter em casa.

Ingredientes:

  • ½ l de água
  • 1 kg de açúcar
  • 2 paus de canela
  • 24 gemas
  • 250 g de amêndoa ralada
  • 3 cascas de limão
  • 400 g de pão frito (em cubos)
  • canela em pó p/ polvilhar

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com a água, os paus de canela e as cascas de limão. Deixe ferver até atingir o ponto de espadana (a calda cai da colher com o aspeto de lâmina de espada).

Retire do lume e junte a amêndoa ralada e as gemas batidas.

Leve o preparado ao lume, mexendo sempre, e junte o pão frito.

Deite a sopa dourada numa taça e polvilhe com canela.

Bolos de Cabeça (Torres Novas)

Estes bolos, feitos com uma massa fermentada, maciça mas fofa, aromatizada com canela, erva-doce e limão, são uma especialidade da doçaria regional de Torres Novas, sendo presença quase obrigatória nas festas e romarias do concelho. Embora se tendam de maneira diferente, a massa é semelhante à de outros bolos que se fazem na região Oeste, também muito frequentes nas festas de casamento, como lembrança dos noivos para os convidados – exemplo disso são as ferraduras, os bolos de festa ou os bolos de noivos.

Os bolos de cabeça têm em si os traços da doçaria popular, com os seus torcidos e entrançados característicos. Começaram por ter a forma de cruz, mas como são tradicionalmente oferecidos nos casamentos, estes bolos passaram a ter a forma de duas cabeças, que representam os noivos, uma vez que relação e vida do casal é feita a dois.

Com a mesma massa podem tender-se formas mais simples, como ferraduras e bolinhas (polvilhadas com açúcar e enfeitadas com uma noz), sendo estas últimas confecionadas sobretudo na altura dos Santos. Nesta festividade do dia de Todos os Santos, em Torres Novas, estes bolos integram a tradição popular do “pão por Deus”, pedido pelas crianças e partilhado entre familiares, vizinhos e amigos.

Ingredientes:

  • 10 g de fermento de padeiro
  • 100 ml de azeite
  • 50 g de manteiga
  • 1 colher (sobremesa) de bicarbonato de sódio
  • 1 colher (sobremesa) de canela
  • 1 colher (sobremesa) de erva-doce
  • 10 g de sal
  • 1,4 kg de açúcar amarelo
  • 2,5 limões (sumo e raspa)
  • 2,9 kg de farinha
  • água q.b.
  • ovo batido p/ pincelar

Confeção:

Para preparar a massa lêveda, coloque 400 g de farinha em monte num recipiente largo, faça-lhe um buraco ao centro e deite nele o sal e o fermento de padeiro (dissolvido num pouco de água morna).

Amasse e deixe levedar cerca de 15 minutos, até a massa apresentar um aspeto rendilhado no interior.

Faça um buraco na massa e deite dele  a restante farinha, a canela, a erva-doce, o bicarbonato de sódio, o açúcar e a raspa dos limões..

Amasse novamente e, aos poucos, regue o preparado com o azeite e a manteiga a ferver, desfazendo os torrões que se formam.

Junte o sumo dos limões e amasse muito bem, acrescentando, aos poucos, a água necessária para obter uma massa boa para tender (deve ter uma consistência ligeiramente mais dura que a massa do pão).

Unte a superfície da massa com azeite, cubra com película aderente e deixe levedar durante 3 horas, num local tépido. Tradicionalmente é feita uma cruz na massa antes de a pôr a levedar e, quando a cruz desaparecer, é sinal que a massa está lêveda.

Antes de tender a massa, unte e polvilhe os tabuleiros do forno com farinha. Reserve.

Polvilhe a bancada da cozinha com farinha e tenda os bolos com a sua forma típica, a lembrar um oito. Para tal, siga os passos descritos abaixo:

  1. Retire uma boa porção de massa e forme um rolo grosso, de onde vai retirando pedaços com cerca de 200 g.
  2. Role cada um deles sobre a bancada até formar um cilindro, cujas pontas se achatam com a palma da mão.
  3. Com ambas as mãos, aperte o rolo ao meio, formando duas «cabeças».
  4. Dobre a massa, sobrepondo as «cabeças», e aperte novamente com as mãos, dando origem a quatro «cabeças» ou uma cruz.
  5. Sobreponha duas das «cabeças», calcando com os dedos para unir a parte superior e inferior.

Coloque os bolos nos tabuleiros polvilhados de farinha, pincele com ovo batido e leve a cozer, em forno bem quente (± 250º C), cerca de 10-15 minutos.

NOTA:

Para deixar os bolos mais saborosos, junte uma proporção superior de erva-doce e canela (1 colher de sopa rasa de cada).

Fontes:  http://www.memoriamedia.net/index.php/bolos-de-cabeca; https://www.youtube.com/watch?v=UhNrfp0OhNU e http://club.nersant.pt/empresas/detalhes.aspx?id=375 (fotos)

Cornucópias (Angra do Heroísmo)

As cornucópias são uma especialidade de Angra do Heroísmo, cidade da ilha Terceira, nos Açores. São feitas de farinha, manteiga, banha, açúcar, pão torrado, amêndoas raladas, sendo recheadas com ovos-moles depois de frias.

Relativamente à origem deste doce regional açoriano, sabe-se que as cornucópias foram criadas pelas mãos sábias e experientes das freiras, sendo uma das inúmeras relíquias da doçaria conventual portuguesa, também associadas às tradições de Natal.

Ingredientes:

(cerca de 30 cornucópias)
Para a massa
  • 100 g de banha
  • 100 ml de água quente
  • 2 claras p/ pincelar
  • 2 colheres (sopa) de pão ralado
  • 4 colheres (sopa) de amêndoa ralada
  • 50 g de açúcar
  • 50 g de manteiga à temperatura ambiente
  • 500 g de farinha
Para o recheio de ovos-moles
  • 250 g de açúcar
  • 8 colheres (sopa) | 120 ml de água
  • 8 gemas
Material necessário
  • formas em cone p/ cornucópias

Confeção do modo Tradicional:

Unte muito bem as formas de cornucópias e reserve.

Junte a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar. Amasse-os muito bem, juntando a água quente à medida que vai sendo absorvida, até que a massa forme uma bola e se solte dos bordos do recipiente.

Cubra a massa com película aderente e deixe-a repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Leve a água com o açúcar ao lume e deixe ferver cerca de 2 minutos até ficar em ponto de pérola (verifica-se o ponto deixando correr um pouco de calda de uma colher; esta corre em fio e fica com uma bola suspensa na ponta). Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.

Bata ligeiramente as gemas e passe-as por um coador de rede fina para uma tigela.

Volte a colocar a calda em lume moderado e deite as gemas, em fio, mexendo continuamente até que engrossem.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

Preparação na Bimby:

Coloque no copo a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar.

Selecione o modo Espiga e, através do bocal, vá adicionando a água, aos poucos, até que a massa se forme numa bola e se despegue dos bordos do copo.

Coloque a massa numa taça, cubra com película aderente e deixe repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Coloque a água e o açúcar no copo da Bimby e programe 20 min./ Varoma/ vel. 1.

Retire o copo da base (para que arrefeça mais rápido) e deixe arrefecer até aos 60º C, cerca de 20 minutos.

Coloque as gemas numa taça e deite um pouco da calda sobre elas, misturando bem.

Coloque a borboleta no copo e programe 7 min./ 100º C/ vel. 1.

Junte as gemas em fio, pelo bocal da tampa, e deixe terminar o tempo programado.

Retire os ovos-moles do copo para uma taça e reserve.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

NOTA:

As formas de cone encontram-se à venda em lojas de produtos para pastelaria.

SUGESTÃO:

Aproveite as claras restantes preparando um Semifrio de Amêndoas com Molho de Chocolate (veja a receita AQUI).

Já saiu o Ebook de Doces para os Santos

Acaba de ser publicado o ebook (ou livro digital) com receitas de doces regionais/tradicionais do dia de Todos os Santos, celebrado a 1 de novembro.

Além da referência a algumas das tradições outrora usadas nesta data, que ainda hoje se mantêm vivas em algumas regiões, o livro contém 88 receitas de doces alusivos à celebração do dia de Todos os Santos, em que as broas doces ocupam um papel de destaque.

Prático, funcional e muito económico, o livro digital permite destacar partes do texto, fazer anotações à margem e pesquisas. Sempre em interatividade com o blogue, o ebook permite consultar outras receitas publicadas e esclarecer procedimentos ou técnicas de preparação dos doces.

Além deste livro, que poderá adquirir AQUI, temos outros títulos já publicados, relacionados com datas festivas como o Natal, Páscoa, Carnaval,  dia dos Namorados e um exclusivamente dedicado à Doçaria Conventual, tão marcante na doçaria tradicional portuguesa. Caso ainda não  conheça, poderá consultar todos os ebooks na nossa loja virtual.

Sugerimos, pois, que adquira o livro e o explore, conhecendo as receitas para as poder experimentar e celebrar o dia de Todos os Santos com o delicioso sabor da Tradição…