Category Archives: Festas de Casamento

Sopa Seca Doce

A sopa seca é uma sobremesa tradicional do norte de Portugal. Com pequenas variações de terra para terra (veja-se, por exemplo, a receita típica de Penafiel), esta sobremesa, feita com base numa economia de subsistência em que é feito o aproveitamento de ingredientes, era uma das mais apetecidas em muitas ocasiões festivas ao longo doa ano.

A maior curiosidade são as Sopas Secas Doces de tradição na região próxima do Porto, cuja receita aqui apresentamos. Nos casamentos rurais e nas festas das vindimas do Douro é comum fazer-se esta versão, em que o pão é mergulhado no caldo de cozer carnes, as quais são depois aproveitadas para confecionar outros pratos. Geralmente, estas sopas são feitas com o caldo do Cozido à Portuguesa, mas pode fazer-se também com outro caldo de carnes.

Tradicionalmente, a sobremesa é servida no alguidar onde foi confecionada, indo este à mesa envolto numa toalha de linho.

Ingredientes:

(para 4 pessoas)
  • 1 galinha
  • 1 ramo de hortelã
  • 100 g de toucinho
  • 250 g de pão de trigo de boa qualidade
  • 3 colheres (sopa) de mel
  • 300 g de carne de vaca sem gordura
  • açúcar e canela q.b.
  • água e sal q.b. p/ cozer as carnes

Confeção:

Coza as carnes a cozer em água abundante, temperada com sal.

Estando as carnes bem cozidas, coe o caldo e junte-lhe a hortelã, o mel, canela em pó e açúcar a gosto, devendo o caldo ficar bem doce.

Corte o pão em fatias como se fosse para rabanadas. Coloque-as num recipiente e regue-as com o caldo doce quente, de forma a que fiquem bem embebidas.

Polvilhe com açúcar e canela o fundo do alguidar de barro vidrado, próprio para servir à mesa, e vá colocando as fatias  de pão em camadas, separadas por açúcar e canela, sendo que a última camada deve ser de açúcar e canela.

Cubra o alguidar com papel pardo e leve ao forno sem deixar que fique tostado. Sirva a sobremesa, ainda quente ou morna, no próprio alguidar.

Sopa Seca (Penafiel)

A sopa seca é uma sobremesa típica da região de Penafiel, tradicionalmente associada ao fim das vindimas, embora também seja muito comum servir-se no Natal ou noutras ocasiões festivas. Designa-se sopa por ser feita com caldo e diz-se que é seca, porque o pão absorve a calda e não fica praticamente liquido nenhum no fundo do alguidar onde a sobremesa é servida.

A receita foi criada por famílias com poucos recursos económicos, que aproveitavam o pão de trigo velho para prepararem uma sobremesa que pudessem apresentar nas festividades da Senhora do Rosário, que se realiza todos os anos, na freguesia de Duas Igrejas, no primeiro fim de semana de outubro. O doce, tradicionalmente acompanhado de vinho doce, acabou por ficar intimamente associado à festividade litúrgica e, dadas as características peculiares desta sobremesa e a atração que despertou, com o tempo, o evento passou a ser conhecido como a Festa da Sopa Seca.

Atendendo às suas origens humildes, este doce é também conhecido como a sobremesa dos pobres. A receita consiste em embeber fatias de pão numa calda de açúcar com canela, folhas de laranjeira e vinho do Porto, dispô-las num alguidar, onde são colocadas em camadas e polvilhadas com açúcar e canela, indo depois ao forno a gratinar.

A sopa seca deve  ser feita de preferência em forno a lenha e saboreada ainda morna. Embora a receita ainda esteja pouco divulgada nos roteiros gastronómicos de Portugal, esta iguaria é muito apreciada e difundida, sobretudo no norte do país, existindo variantes onde é feito o aproveitamento de caldo de carnes e usada hortelã.

Ingredientes:

  • 10 pães (tipo cacete ou carcaça) secos
  • 100 g de açúcar + q.b. p/ polvilhar
  • 150 g de açúcar amarelo
  • 2 folhas de laranjeira (ou 1 casca de limão)
  • 25 g de canela + q.b. p/ polvilhar
  • 50 ml de vinho do Porto tinto

Confeção:

Junte a água, o açúcar branco e o amarelo, a canela, o vinho do Porto e as folhas de laranjeira. Mexa até dissolver bem os açúcares.

Cubra com açúcar o fundo de um alguidar de barro, próprio para servir à mesa.

Corte o pão em fatias de 1,5 cm de espessura e mergulhe-as na calda, uma de cada vez.

Disponha as fatias no alguidar, em camadas, polvilhando sempre entre cada uma com açúcar e canela.

Leve ao forno, pré-aquecido a 160º C, cerca de 20 minutos, até o pão ficar ligeiramente tostado.

Servir a sobremesa quente ou morna, de preferência, mas também pode ser consumida fria.

Foto: http://jornalreferencia.blogs.sapo.pt

Bolo Bom Como Tão Bom (Beja)

Este bolo, também conhecido como Bolo de Bom Gosto, foi criado pelas freiras Carmelitas Calçadas do Convento da Esperança, em Beja. O convento foi fundado no séc. XVI (1541), sendo frequentado por pessoas de grandes recursos económicos.

A cidade de Beja é hoje uma referência na doçaria do Baixo Alentejo, sendo daí originários doces que se destacam, não só pelo seu sabor como também pela decoração apurada. A arte de trabalhar a apresentação dos bolos foi principalmente desenvolvida nos conventos, que eram a única alternativa digna às casas senhoriais para o acolhimento das comitivas de pessoas importantes do reino, quando se deslocavam àquela região, em viagens oficiais ou de lazer.

bolo bom como tão bom é feito com dois ingredientes muito comuns na gastronomia alentejana, a gila e a amêndoa, caracterizando-se pela sua apresentação farta e apelativa. É geralmente servido à sobremesa ou em ocasiões especiais (como de casamento, de aniversário, Natal…) pois é um doce rico e com uma decoração elaborada.

Ingredientes:

Para a massa
  • 250 g de amêndoas (peladas e raladas)
  • 250 g de doce de gila
  • 250 ml de água
  • 3 colheres (sopa) de farinha + q.b. p/ polvilhar
  • 3 ovos
  • 500 g de açúcar
  • 6 gemas
Para a cobertura
  • 250 ml de água
  • 300 g de açúcar
Para a decoração

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com a água e deixe ferver até atingir o ponto de fio (103 °C – a calda adere levemente à colher e, ao retirar um pouco, forma-se um fio com o qual se conseguem fazer formas sobre uma superfície lisa).

Junte a amêndoa e ligue bem.

Acrescente o doce de gila. Deixe ferver um bocadinho e retire do lume.

À parte, ligue bem ovos e as gemas. Acrescente-os ao preparado anterior, juntamente com a farinha.

Leve novamente a lume brando, mexendo sempre até espessar.

Unte muito bem uma forma redonda com cerca de 15 cm de ∅ e polvilhe o fundo com bastante farinha.

Deite a massa na forma, polvilhe com mais farinha (± ½ centímetro) e leve o bolo a cozer em forno brando (160º C), cerca de 40 minutos. Este é um bolo húmido pelo que não deve cozer demasiado para não secar.

Para a cobertura, leve o açúcar e a água ao lume para fazer uma calda em ponto de voar (112 °C – ao retirar um pouco de calda com uma escumadeira e assoprar, formam-se bolas que se desprendem como bolhas de sabão) – dobre a calda várias vezes para se tornar espessa e opaca.

Desenforme o bolo, sacuda toda a farinha e cubra-o com a calda.

Enfeite com frutas cristalizadas e amêndoas picadas.

Nota:

De acordo com a receita original, o bolo deverá ser “caiado” durante 2 dias consecutivos com a calda de açúcar. Por uma questão prática, em vez desta pode cobrir o bolo com açúcar em pó.

Sugestão:

O Pudim de Claras é uma boa opção para aproveitas as que lhe sobraram da preparação deste bolo.

Foto: Produtos Tradicionais Portugueses, DGDR

Kourabiedes (Grécia)

Estes biscoitos amanteigados fazem parte das tradições de Natal na Grécia, embora sejam servidos noutras ocasiões festivas, como casamentos e batizados.

Arroz-doce à moda de Coimbra

O arroz-doce é um doce muito popular em Portugal, commumente associado a ocasiões festivas, havendo regiões com tradições próprias.

Na região de Coimbra, o arroz-doce era tradicionalmente usado como participação de casamento e pretexto para a apresentação do noivo. As raparigas, juntamente com a mãe e este, visitavam as famílias que conheciam, a quem ofereciam uma travessa de arroz doce numa canastra coberta com um pano feito nos teares (pano de Almalaguês). Uma semana depois, os noivos voltavam para buscar a travessa e receberem o respetivo presente.

Ingredientes:

(para 6 pessoas)
  • 100 g de açúcar
  • 100 ml de água
  • 1 casca de limão
  • 1,5 litro de leite
  • 75 g de arroz
  • canela p/ polvilhar

Confeção:

Ferva o leite com a casca de limão.

Entretanto, leve um tacho ao lume com a água e, quando ferver,  junte o arroz bem lavado e escorrido.

Depois de o arroz cozer (3 a 4 minutos), vá adicionando, pouco a pouco e mexendo, o leite quente (esta operação leva cerca de uma hora).

Junte o açúcar e deixe ferver um pouco mais.

Retire a casca do limão, deite o arroz-doce em travessas e polvilhe com canela.

Foto: www.turismodocentro.pt