Category Archives: Doçaria Conventual

Manjar Celeste (Ribatejo)

A doçaria conventual teve uma presença marcante na antiga região ribatejana, tendo deixado um delicioso legado no receituário regional. Exemplo disso é este doce, cujo nome diz tudo, um verdadeiro manjar dos Céus. A sobremesa, deliciosa e digna de ser servida numa ocasião festiva, resulta da sábia conjugação de ovos e açúcar com amêndoas.

Ingredientes:

  • 1 chávena de fios de ovos
  • 100 g de miolo de pão
  • 2 claras
  • 250 g de açúcar + 2 colheres (sopa)
  • 5 gemas
  • 50 g de amêndoas, peladas e raladas
  • água q.b.

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com 100 ml de água e deixe ferver até fazer ponto fraco.

Junte o pão embebido em água, espremido e desfeito, e a amêndoa. Deixe ferver um pouco.

Bata muito bem as gemas e as claras com 2 colheres de açúcar.

Fora do lume, junte o preparado de pão e amêndoa ao preparado de ovos e açúcar e leve ao lume a engrossar até fazer estrada – ao passar a colher, vê-se o fundo do tacho.

Deite o doce num prato e enfeite com os fios de ovos.

Créditos da foto: http://mym-pt.blogspot.pt

Ovos-moles Escuros (Estremoz)

A doçaria conventual portuguesa deixou-nos riquíssimas sobremesas, em que é usada uma quantidade generosa de ovos, açúcar e, em muitas receitas, também a amêndoa. Os ovos-moles são desses doces que fazem as nossas delícias e que trazem em si os sabores típicos de um bom doce conventual.

Esta receita de Estremoz caracteriza-se pela diferença de texturas dos ovos-moles – uma delas cremosa e suave, como estamos habituados, e uma outra que é escurecida, apresentando uma consistência seca. Mais uma deliciosa receita do Alentejo que vale a pena saborear…

Ingredientes:

  • 20 gemas
  • 40 ml de água
  • 80 g de açúcar

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com a água até atingir o ponto de pérola (quando correr um fio de calda espesso, ficando uma gota suspensa no limite).

Retire a calda do calor, deixe arrefecer e junte as gemas batidas.

Leve de novo ao lume, mexendo sempre, até fazer estrada (ao passar a colher, vê-se o fundo da panela).

Deite metade do doce numa travessa ou em taças individuais. Reserve.

Leve os restantes ovos-moles de novo ao lume, mexendo sempre, para escurecerem e granularem. Retire os ovos-moles secos e coloque-os, nas taças, em volta dos que tinha reservado.

Foto adaptada de http://fotos.sapo.pt/sara

Doce Dourado de Borba

O Alentejo é riquíssimo em termos de património gastronómico, sendo uma das regiões de Portugal em que a doçaria conventual deixou um maior legado. O doce dourado é um dos doces conventuais que tem maior impacto na doçaria portuguesa, sendo a de Borba e a do Peso da Régua as mais afamadas.

Feito à base de amêndoa, pão, gemas e açúcar, o Doce Dourado é uma presença garantida à mesa na casa de muitas famílias portuguesas, durante as celebrações do Natal fim de ano.

Confeção:

  • 10 gemas
  • 100 g de miolo de amêndoa pelada e pisada
  • 250 g de água
  • 250 g de miolo de pão
  • 500 g de açúcar
  • canela p/polvilhar

Confeção:

Leve o açúcar com a água ao lume e, assim que atingir o ponto de pérola, junte o miolo de pão ralado.

Quando o pão estiver desfeito, adiciona-se a amêndoa pelada e moída.

Retire o preparado do lume, deixe arrefecer e misture as gemas, previamente batidas. Leve de novo ao lume para cozer.

Deite o doce numa travessa e polvilhe com canela.

Toucinho do Céu de Laranja

O toucinho do céu é uma receita de origem conventual a partir da qual surgiram outras iguarias ou variantes que se tornam verdadeiros ícones de doçaria regional. Nesta receita não é usada a tradicional amêndoa, mas são adicionadas avelãs e laranja, que tornam a sobremesa verdadeiramente deliciosa.

Ingredientes:

  • 1 chávena de suco de laranja (natural)
  • 200 g de açúcar
  • 3 ovos
  • 8 gemas
  • laranja e avelãs p/ decorar
  • caramelo líquido p/ barrar as formas

Confeção:

Barre 6 forminhas lisas com caramelo líquido e reserve.

Numa caçarola, misture o suco de laranja com o açúcar, até este se dissolver.

Leve ao lume e deixe ferver, até obter uma calda espessa, mexendo com varas de arame.

Bata os ovos e as gemas. Adicione a calda quente, em fio, sem deixar de mexer até os dois componentes ficarem ligados.

Divida a mistura pelas formas que reservou e coloque-as num tabuleiro com água quente.

Leve ao forno, pré–aquecido a 180º C, e cozinhe em banho-maria durante cerca de 50 minutos.

Deixe arrefecer, desenforme os doces e sirva-os decorados com pedaços de laranja e avelãs.

Nota:

Coloque as formas no tabuleiro de modo que a água fique até meio, para evitar que, ao ferver, se misture com o doce.

Barriga de Freira (Coimbra)

A cozinha portuguesa é muito marcada pela doçaria conventual. São inúmeras as variantes deste doce conhecido por Barriga de Freira, sendo todas elas confecionadas com muitos ovos e açúcar. A receita aqui apresentada foi criada pelas freiras do Mosteiro de Sta. Maria de Celas, em Coimbra, e integra nos seus ingredientes uma outra especialidade da doçaria coimbrã: as famosas arrufadas.

Ingredientes:

  • 1 arrufada de Coimbra (pequena)
  • 1 casca de limão
  • 1 colher (sopa) de manteiga
  • 250 g de açúcar
  • 4 gemas
  • canela p/ polvilhar

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com 150 ml de água e a casca de limão. Deixe ferver até obter um xarope fraco (até se pegar ligeiramente aos dedos).

Retire do lume e junte a arrufada, previamente esfarelada à mão, a manteiga e as gemas desfeitas.

Leve novamente ao lume e deixe ferver durante 3 a 4 minutos.

Deite num prato ou em taças e enfeite a barriga de freira com canela.