Category Archives: Doçaria Conventual

Sopa Dourada

A sopa dourada é um dos doces mais populares na mesa de Natal em Portugal, sendo indispensável na região norte do país. A receita varia consoante a localidade onde é confecionada – há regiões onde é feita com fatias de pão duro e outras em que é o pão de ló que serve de base à confeção do doce.

Esta receita leva uma quantidade considerável de gemas e de amêndoas, ingredientes indispensáveis  na doçaria conventual, que esteve na origem deste doce tradicional de Natal. Como é feita com pão, a sopa dourada que aqui lhe apresentamos é uma excelente forma de fazer aproveitamento de sobras que possa ter em casa.

Ingredientes:

  • ½ l de água
  • 1 kg de açúcar
  • 2 paus de canela
  • 24 gemas
  • 250 g de amêndoa ralada
  • 3 cascas de limão
  • 400 g de pão frito (em cubos)
  • canela em pó p/ polvilhar

Confeção:

Leve o açúcar ao lume com a água, os paus de canela e as cascas de limão. Deixe ferver até atingir o ponto de espadana (a calda cai da colher com o aspeto de lâmina de espada).

Retire do lume e junte a amêndoa ralada e as gemas batidas.

Leve o preparado ao lume, mexendo sempre, e junte o pão frito.

Deite a sopa dourada numa taça e polvilhe com canela.

Cornucópias (Angra do Heroísmo)

As cornucópias são uma especialidade de Angra do Heroísmo, cidade da ilha Terceira, nos Açores. São feitas de farinha, manteiga, banha, açúcar, pão torrado, amêndoas raladas, sendo recheadas com ovos-moles depois de frias.

Relativamente à origem deste doce regional açoriano, sabe-se que as cornucópias foram criadas pelas mãos sábias e experientes das freiras, sendo uma das inúmeras relíquias da doçaria conventual portuguesa, também associadas às tradições de Natal.

Ingredientes:

(cerca de 30 cornucópias)
Para a massa
  • 100 g de banha
  • 100 ml de água quente
  • 2 claras p/ pincelar
  • 2 colheres (sopa) de pão ralado
  • 4 colheres (sopa) de amêndoa ralada
  • 50 g de açúcar
  • 50 g de manteiga à temperatura ambiente
  • 500 g de farinha
Para o recheio de ovos-moles
  • 250 g de açúcar
  • 8 colheres (sopa) | 120 ml de água
  • 8 gemas
Material necessário
  • formas em cone p/ cornucópias

Confeção do modo Tradicional:

Unte muito bem as formas de cornucópias e reserve.

Junte a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar. Amasse-os muito bem, juntando a água quente à medida que vai sendo absorvida, até que a massa forme uma bola e se solte dos bordos do recipiente.

Cubra a massa com película aderente e deixe-a repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Leve a água com o açúcar ao lume e deixe ferver cerca de 2 minutos até ficar em ponto de pérola (verifica-se o ponto deixando correr um pouco de calda de uma colher; esta corre em fio e fica com uma bola suspensa na ponta). Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.

Bata ligeiramente as gemas e passe-as por um coador de rede fina para uma tigela.

Volte a colocar a calda em lume moderado e deite as gemas, em fio, mexendo continuamente até que engrossem.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

Preparação na Bimby:

Coloque no copo a farinha, a manteiga, a banha e o açúcar.

Selecione o modo Espiga e, através do bocal, vá adicionando a água, aos poucos, até que a massa se forme numa bola e se despegue dos bordos do copo.

Coloque a massa numa taça, cubra com película aderente e deixe repousar durante ½ hora.

Ligue o forno a 180º C.

Estenda a massa com o rolo, numa superfície enfarinhada, e corte tiras com 2 cm de largura.

Pincele um dos lados das tiras com as claras batidas e envolva-as nas formas de cone, com a parte pincelada para fora, unindo bem a massa na extremidade (a clara ajuda a massa a unir a massa à medida que se vai envolvendo no cone).

Passe os cones pela amêndoa, misturada com o pão ralado.

Coloque num tabuleiro forrado com papel vegetal e leve a cozer cerca de 25 minutos ou até as cornucópias começarem a ficar douradas.

Deixe arrefecer e, entretanto, prepare os ovos-moles.

Coloque a água e o açúcar no copo da Bimby e programe 20 min./ Varoma/ vel. 1.

Retire o copo da base (para que arrefeça mais rápido) e deixe arrefecer até aos 60º C, cerca de 20 minutos.

Coloque as gemas numa taça e deite um pouco da calda sobre elas, misturando bem.

Coloque a borboleta no copo e programe 7 min./ 100º C/ vel. 1.

Junte as gemas em fio, pelo bocal da tampa, e deixe terminar o tempo programado.

Retire os ovos-moles do copo para uma taça e reserve.

Desenforme as cornucópias cuidadosamente, quase frias, e recheie-as com os ovos-moles.

NOTA:

As formas de cone encontram-se à venda em lojas de produtos para pastelaria.

SUGESTÃO:

Aproveite as claras restantes preparando um Semifrio de Amêndoas com Molho de Chocolate (veja a receita AQUI).

Leite-creme Conventual

O leite-creme é uma das sobremesas de referência da cozinha tradicional portuguesa. A receita é de origem conventual, havendo inúmeras variantes, todas elas com uma generosa quantidade de gemas. Além de ser perfeito para servir à sobremesa, o leite-creme fica sempre bem numa mesa de festa, sendo presença habitual à mesa nas celebrações do Natal.

A receita aqui apresentada, cujo nome reforça a sua origem, terá sido criada no Convento de S. Bento de Monção, no distrito de Viana do Castelo.

Ingredientes:

  • 1 litro de leite
  • 12 gemas
  • 300 g de açúcar + q.b. p/ queimar
  • 75 g de farinha de trigo
  • casca de 1 limão

Confeção do modo tradicional:

Ferva o leite com a casca de limão. Deixe amornar e retire a casca de limão.

Junte a farinha, em chuva, ao leite e mexa bem para não criar grumos.

Bata as gemas com o açúcar até obter um creme esbranquiçado.

Junte a gemada ao leite e leve ao lume, mexendo sempre com uma vara de arames, até engrossar.

Deite o leite-creme numa travessa ou em taças individuais.

Depois de frio, deite açúcar na superfície e queime com um ferro próprio para o efeito ou com um maçarico de cozinha.

Preparação na Bimby:

Junte todos os ingredientes e programe 12 min./ 90º/ vel. 2 ½.

Retire a casca do limão e deite numa travessa ou em taças individuais. Depois de frio, deite açúcar na superfície e queime o leite-creme com um ferro próprio para o efeito ou com um maçarico de cozinha.

Nota:

As quantidades apresentadas são as da receita tradicional; poderá, no entanto, reduzir a quantidade de gemas e de açúcar, atendendo ao seu gosto pessoal.

SUGESTÃO:

Faça o aproveitamento das claras preparando um Pudim Molotov ou os deliciosos Amores de Azeitão.

Chila Dourada

Esta receita, de origem conventual, é verdadeiramente maravilhosa, sendo excelente para servir na ceia de Natal ou para saborear à sobremesa. É muito fácil de fazer e a preparação é rápida (cerca de 30 minutos).

Já experimentou esta deliciosa receita da cozinha portuguesa?

Ingredientes:

(para 6 pessoas)
  • 500 ml de leite
  • 600 g de doce de chila
  • 8 gemas
  • canela p/ polvilhar

Confeção:

Leve ao lume o doce de chila e o leite, mexendo sempre até o leite evaporar quase por completo e ficar o preparado com um aspeto cremoso. retire do lume.

Num recipiente à parte, bata as gemas e misture um pouco do creme de chila.

Junte o preparado com as gemas ao doce de chila que se encontra no tacho, envolva bem para ligar. Coloque de novo em lume brando, somente para apurar, mexendo sempre para as gemas não cozerem.

Deite a chila dourada numa travessa ou prato de servir e polvilhe com canela a gosto.

SUGESTÃO:

Faça o aproveitamento das claras, usando-as na preparação do Bolo Branco (veja a receita AQUI).

Foto retirada de http://cozinhadazana.blogspot.pt/

Barriga de Freira

Esta deliciosa sobremesa, como o próprio nome indica, faz parte da doçaria conventual. A receita foi criada por freiras dos conventos portugueses do século XVII, sendo um dos doces mais tradicionais de Portugal e uma presença quase obrigatória na mesa de Natal de muitas famílias.

Ingredientes:

Para o doce
  • 100 g de amêndoas ralada
  • 12 gemas
  • 200 ml de água (200 g se for pesada na Bimby)
  • 500 g de açúcar
  • 50 g de miolo de pão
Para a cobertura e decoração
  • canela em pó p/ polvilhar
  • amêndoa p/ decorar (opcional)

Confeção Tradicional:

Rale o miolo do pão e reserve. A amêndoa poderá ser ralada finamente (sem pele) na altura da confeção do doce ou comprada já moída.

Leve a água com o açúcar ao lume e deixe ferver cerca de 2 minutos até ficar em ponto de pérola (verifica-se o ponto deixando correr um pouco de calda de uma colher; esta corre em fio e fica com uma bola suspensa na ponta). Retire do lume e deixe arrefecer um pouco.

Junte a amêndoa e o pão à calda e leve novamente a ferver em lume brando, mexendo sempre. Quando levantar fervura, mantenha mais um pouco no calor (cerca de 5 minutos).

Retire uma porção do preparado para uma taça e envolva nela as gemas, levemente batidas, mexendo rapidamente para que não cozam.

Junte o preparado das gemas à restante calda e leve novamente ao lume. Deixe ferver, mexendo sempre, até atingir ponto de estrada fraco (ao passar uma colher na calda, forma-se uma espécie de estrada que deixa ver o fundo do tacho).

Retire do lume e coloque num prato ou taças de servir. Sirva a barriga de freira fria, polvilhada com canela e decorada a gosto, com amêndoa.

Preparação na Bimby:

Coloque o pão no copo e rale durante 10 seg. / vel. 9. Retire e reserve.

Rale a amêndoa (sem pele) do mesmo modo que o pão e reserve.

Coloque a água e o açúcar no copo e aqueça 25 min. / Varoma / vel. 1.

Retire o copo da base e deixe a calda arrefecer, cerca de 15 minutos, até aos 60º C.

Junte a amêndoa e o pão à calda e programe 8 min. / Varoma / vel. 1.

Programe mais 15 min. / Varoma / vel. 1 e adicione as gemas, ligeiramente batidas, pelo bucal da tampa.

No fim do tempo, retire de imediato do copo e coloque num prato de servir ou distribua por taças individuais. num prato ou taças de servir.

Sirva a barriga de freira fria, polvilhada com canela e decorada a gosto, com amêndoa.

SUGESTÃO:

Prepare um Pudim Molotov para aproveitar as claras que não usou na Barriga de Freira.

Foto: http://www.teleculinaria.pt/