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Como fazer Água de Flores de Laranjeira

A água de flores de laranjeira é um aromatizante obtido pela destilação das flores brancas que crescem nas laranjeiras, limoeiros e cidreiras.

Para a preparar, as flores deverão estar secas, pelo que deverá comprá-las neste estado ou apanhá-las da árvore e deixá-las secar. As flores de laranjeira são tradicionalmente colhidas em maio, para não pôr em causa os futuros frutos; para o fazer são colocados sacos por baixo das árvores, onde se recolhem as pétalas que depois se deixam secar completamente, à sombra ou ao sol, durante várias semanas.

Foram os árabes que começaram a fazer a sua utilização na cozinha e, hoje em dia, tem uma utilização ampla a nível mundial. A sua utilização maioritária é para fins culinários, sobretudo no âmbito da confeitaria, mas também podemos encontrá-lo nas área da perfumaria e estética.

A decisão de publicarmos um artigo com indicações sobre o modo de preparação deste ingrediente prende-se com o facto de constar em algumas receitas publicadas por nós (veja aqui), mas vem sobretudo na sequência de vários pedidos que temos recebido dos nossos seguidores para que indiquemos onde se pode comprar e, acima de tudo, como se faz. Aqui está, pois, a receita…

Poderá ajustar as quantidades dos ingredientes de acordo com a necessidade, mas a proporção de referência é de 50 gramas de flores por cada ½ litro de água mineral, 50 gramas de flores de laranjeira secas.

Ingredientes:

  • ½ litro de água destilada (veja nota)
  • 50 gramas de flores de laranjeira secas

Confeção:

Coloque as flores num recipiente fundo e cubra-as com a água.

Misture um pouco e tape com película aderente | papel filme para que a água impregne bem o aroma das flores. Deixe repousar durante um dia, em um lugar fresco e escuro.

Passadas 24 horas, coe a água com um coador de de rede muito fina (poderá usar um pano de algodão limpo).

Deixe repousar entre 30 minutos e uma hora.

Deite a água de flores de laranjeira em potes ou garrafas esterilizados. Feche e guarde no frigorífico.

Nota:
  • A água usada deve ser preferencialmente destilada, mas, à falta desta, poderá usar água mineral.

Sopa Dourada (Entre Douro e Minho)

A sopa dourada é uma receita típica de Portugal, sendo uma sobremesa indispensável na mesa de Natal no norte do país.

Conheça a forma de confecionar este doce de origem conventual na região Entre Douro e Minho, em que a receita é aromatizada com água de flor de laranjeira e inclui frutas cristalizadas na decoração.

Ingredientes:

  • ½ kg de açúcar
  • 24 gemas
  • 250 g de amêndoas
  • 300 g de fatias de pão de ló
  • água de flores de laranjeira q.b.
  • frutas cristalizadas (picadas finamente) p/ decorar

Confeção:

Leve o açúcar ao lume, deixando ferver cerca de 2 minutos, até o pôr em meio ponto de espadana. Vá deitando algumas gotas de água de flor de laranjeira.

Quando o açúcar atingir o ponto, retire a calda do lume e regue com ela as fatias de pão de ló, que porá depois a escorrer numa grelha.

Leve novamente o açúcar ao lume para atingir o ponto de espadana (a calda cai da colher em lâmina).

Deite a amêndoa na calda, pise bem e deixe ferver mais um pouco.

Retire do lume para arrefecer ligeiramente.

Entretanto, bata bem as gemas. Aos poucos, vá deitando a calda sobre elas, mexendo sempre para que não coalhe.

Deixe engrossar até fazer rugas e deite sobre as fatias, cobrindo-as bem.

Decore com frutas cristalizadas.

Características e Uso do Mel na Culinária e Doçaria

O mel é consumido pelo Homem desde sempre, o que faz dele um alimento mítico, rodeado de lendas que lhe atribuem diversos benefícios terapêuticos e nutritivos.

Suspiros de Braga

Esta receita, de origem conventual, pertence ao receituário do Convento da Madre Deus de Guimarães, no distrito de Braga.

Ingredientes:

  • 1 pitada de canela
  • 3 claras
  • 500 g de açúcar
  • água de flor de laranjeira
  • casca de 1 limão

Confeção:

Leve o açúcar ao lume a fazer ponto de fio (ao mergulhar a colher na calda, ele agarra-se ligeiramente e corre em fio).

Junte as claras, um pouco de água de flor de laranjeira, a canela e a casca de limão. Mexa muito bem.

Deite em pequenas formas, untadas com manteiga, e leve ao forno, a 170º C, o tempo necessário para corarem.

Sugestão:

Aproveite as gemas como pretexto para preparar as sempre apetecíveis Queijadas de Requeijão.

Nabada do Mosteiro de Semide (Miranda do Corvo)

A nabada é um dos doces conventuais mais antigos de Portugal, tendo sido criado pelas monjas beneditinas do Mosteiro de Santa Maria de Semide, no concelho de Miranda do Corvo.

A particularidade deste doce, também conhecido simplesmente como Nabada de Semide, é ser feito à base de nabo, ingrediente que lhe dá o nome e que, comummente, não associamos a este tipo de receitas. Mas freiras, que eram excelentes doceiras, criaram esta maravilhosa iguaria, à base de nabos, açúcar e amêndoas. As receitas mais antigas registam ainda o uso de almíscar, pau de canela, flor de laranjeira e água de rosas.

Aceite a nossa sugestão experimente a receita, deixando-nos depois um comentário acerca da reação dos seus familiares e/ou amigos (mas diga-lhes o ingrediente que está na base da receita só depois de terem provado o doce – decerto, nem vão acreditar).

Ingredientes:

  • 1 kg de nabos tenros
  • 50 g de miolo de amêndoa triturada
  • açúcar q.b.
  • água e sal q.b.

Confeção:

Coza os nabos, descascados e cortados em rodelas, em água temperada com sal. Deixe cozinhar alguns minutos, até os nabos ficarem macios, mas sem cozerem demasiado.

Escorra as rodelas e conserve-as numa tigela, cobertas com água fria, durante 4 dias. Renove a água diariamente (em Semide, este processo dá pelo nome de corar os alimentos).

Escorra as rodelas de nabo, esprema-as bem com um pano, para absorver toda a humidade, e reduza-as a puré. Retire os fios ou algumas pontas mais duras dos nabos que possam subsistir.

Pese o puré e igual porção de açúcar (regra geral, 1 kg de nabos fica reduzido a 500 g de puré).

Leve ao lume o açúcar coberto de água e deixe ferver até aos 106º C, quando a calda atinge o ponto de cabelo (ao mergulhar a colher na calda e levantá-la, correm dela fios finos e estaladiços).

Junte o puré de nabos e as amêndoas raladas. Deixe o doce ferver até se ver o fundo do tacho, mexendo continuamente.

Deixe amornar e guarde em taças ou potes cobertos com papel vegetal, passado por aguardente.

Sugestão:

Use este doce para rechear bolos ou tortas.

Curiosidade…

Sabe qual a diferença entre um Mosteiro e um Convento?
Num Mosteiro, os religiosos vivem em num ambiente de recolhimento e clausura, enquanto num Convento a vida é feita em comunidade. Pertencendo estas religiosas à ordem beneditina (fundada por S. Bento, cujo princípio fundamental é Ora et labora, o que quer dizer “Reza e trabalha”), viviam num espaço marcadamente de recolhimento e trabalho para o sustento e o autossubsistência da comunidade. Devemos, pois, dizer que este doce é oriundo do Mosteiro de Semide (e não Convento de Semide, como muitas vezes é designada aquela casa religiosa).

Foto adaptada de www.saboresdeportugaleoutrossabores.com